Yangun (Mianmar), 8 mai (EFE) - A televisão estatal de Mianmar elevou hoje a 22.980 o número de mortos pelo ciclone tropical Nargis, enquanto 42.

119 pessoas continuam desaparecidas e 1.383 estão feridas na região sul do país.

No fim da noite de segunda-feira a encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Yangun, Shari Villarosa, afirmou que o saldo de mortos superará os 100 mil se não for agilizada a distribuição de material de emergência aos desabrigados.

A tão esperada ajuda internacional começou a chegar à região sul, arrasada no sábado passado pelos vendavais de até 190 km/h do ciclone "Nargis", cuja presença não foi advertida com antecedência suficiente aos habitantes pelo regime birmanês, denuncia a ONU.

Desde que ocorreu a tragédia, a imprensa do aparato de propaganda da Junta Militar escondeu da população a real magnitude do desastre.

Eles informam das visitas ao delta do rio Irrawaddy dos generais, mas escondem a destruição e não mostram imagens dos milhares de corpos empilhados.

As doenças, a escassez de alimentos e a falta de água potável se transformaram nas maiores ameaças para os afetados nas regiões de Irrawaddy, Pegu e Yangun e nos estados de Karen e Mon.

Os alimentos básicos escasseiam e seus preços dispararam pela especulação e a crescente demanda.

Mesmo com este panorama, várias agências da ONU continuam se queixando da lentidão com a qual as autoridades birmanesas tramitam em Bangcoc os vistos do pessoal da organização, atrasando sua chegada às regiões onde é necessário.

Aqueles que conseguem entrar no país informam de montanhas de corpos sem vida e destacam o desespero dos sobreviventes.

Nas 40 divisões do delta do Irrawaddy onde se mantém o estado de exceção foi adiado até 24 de maio o plebiscito constitucional que será realizado no sábado no resto do país.

O plebiscito é o primeiro passo para que a democracia volte ao país. EFE mfr/db

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