Regime de Mianmar condena à prisão perpétua homem que criticou alta de preços

Bangcoc, 3 abr (EFE) - O regime militar de Mianmar (antiga Birmânia) condenou à prisão perpétua um velho dissidente por protestar contra o aumento dos preços, quando o Governo aplicou um aumento de 500% do valor dos combustíveis em agosto, informou hoje a dissidência.

EFE |

O advogado Aung Thein disse que se trata do dissidente U Ohn Than, que foi condenado em 1988 a oito anos de prisão por participar das grandes manifestações democráticas desse ano que a Junta Militar reprimiu e que deixaram mais de três mil mortos.

Ele foi condenado na quarta-feira em um juizado do oeste de Yangun mediante o artigo 124 do Código Criminal, que caracteriza os atos de desestabilização contra o Governo.

Nesse mesmo dia, Suu Su Nway, membro da Liga Nacional pela Democracia (LND), o principal partido da oposição dirigido pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, foi denunciado por duas acusações criminais em um tribunal estabelecido na prisão de Insein, nos arredores de Yangun e onde costumam ser retido os presos políticos.

A Anistia Internacional (AI) denunciou esta semana que 40 pessoas foram condenadas a penas de prisão em "julgamento secreto" por sua participação nas manifestações antigovernamentais de setembro.

Na ocasião, os soldados reprimiram os atos, que terminaram com 15 mortos, número que a ONU eleva para 31, e que a dissidência afirma ser 200 e seis mil detidos.

Aos processos judiciais que descumprem as garantias internacionais se uniu uma campanha nacional de detenções contra todo indivíduo que protesta ou critica a Constituição redigida pela Junta Militar e cuja aprovação será decidida em um plebiscito no próximo mês.

Um parente de um preso político preso em Insein disse à rádio da dissidência que os carcereiros estão oferecendo aos detentos, após anotar o número de sua identidade, uma redução da pena se eles se comprometerem a apoiar o plebiscito constitucional quando forem soltos. EFE tai/db

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