Regime birmanês nega ao secretário-geral da ONU acesso a Suu Kyi

Bangcoc, 3 jul (EFE).- A Junta Militar birmanesa negou hoje ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, permissão para se reunir com Aung San Suu Kyi, no inicio de uma visita a Mianmar (antiga Birmânia), que pretendia a libertação da líder opositora e a de outros dois mil presos políticos.

EFE |

Também e quase coincidindo com a chegada do responsável da ONU, as autoridades militares adiaram outra vez o reatamento do julgamento que começou em meados de maio passado contra Suu Kyi na prisão de segurança máxima de Insein, onde está reclusa.

Ban disse que o chefe da Junta Militar, general Than Shwe, justificou essa recusa com o fato de que a Nobel da Paz está sendo julgada.

O julgamento de Suu Kyi foi tachado de "farsa" pelo secretário-geral da ONU e um amplo leque de líderes mundiais.

Suu Kyi, de 64 anos, é acusada de violar os termos da prisão domiciliar que cumpria há meia década, ao abrigar por duas noites em sua casa John Willian Yettaw, um americano que entrou no local burlando a vigilância da Polícia.

Após uma breve escala em Yangun, a maior cidade do país, Ban viajou à nova capital, Naypyidaw, para se reunir com membros da Junta Militar e seu chefe máximo, o general Than Shwe, que há 17 anos lidera o ferrenho regime imposto em 1962.

Ban disse a caminho de Naypyidaw que pressionaria o regime a fim de obter garantias de que as eleições que realizará em 2010 sejam justas, e conseguir a libertação dos presos políticos, incluindo a da Nobel da Paz, ou pelo menos permissão para vê-la em pessoa durante sua estadia de dois dias em Mianmar.

O número de presos políticos aumentou em cerca de mil desde que em 2007 as autoridades responderam com a força às grandes manifestações em favor da democracia, segundo os grupos dissidentes e organizações comprometidas com a defesa dos direitos humanos.

No final de sua reunião de quase duas horas, o secretário-geral da ONU confirmou suas suspeitas e anunciou que, em princípio, Than Shwe tinha rejeitado seu pedido de visitar Suu Kyi, líder da Liga Nacional pela Democracia (LND), a única legenda política opositora legal que subsiste no país.

"Não me surpreende que o Governo militar tenha dito a Ban Ki-moon que ele não pode ver Aung San Suu Kyi", disse Win Tin, porta-voz da LND.

Outro dos objetivos de Ban era o de se reunir em Naypyidaw com quatro destacados políticos do partido de Suu Kyi, que segundo o porta-voz da LND, iam expor ao secretário-geral da ONU a necessidade de reformar a Constituição aprovada no ano passado, e que garante a permanência dos militares no poder.

Ban apontou que pediu ao general Than Shwe para acelerar o "processo de democratização", que faz parte do chamado "Mapa de Caminho" desenhado pela cúpula do regime.

Até o momento e apesar das sanções impostas pela União Europeia (UE), Estados Unidos e outros países, a Junta Militar ignorou todos os apelos da comunidade internacional para que liberte os presos políticos e empreenda um diálogo político com o partido de Suu Kyi.

A visita do secretário-geral da ONU, que já esteve em Mianmar em maio do ano passado para pedir ao general Than Shwe que permitisse a entrada da ajuda internacional destinada aos desabrigados pelo ciclone "Nargis", acontece quando surgem evidências de que a Junta Militar estreita laços militares com o regime da Coreia do Norte.

Os militares birmaneses constroem com a ajuda norte-coreana uma extensa rede de túneis blindados e refúgios em várias áreas do país para fins militares, revelaram imagens e documentos vazados para a imprensa estrangeira.

As provas das gigantescas obras de engenharia realizadas em Mianmar, uma das nações mais pobres da Ásia, alimentam as suspeitas de que o regime norte-coreano planeja suprir tecnologia nuclear aos generais birmaneses.

Os vídeos e fotografias divulgadas pelo canal de televisão que apoia a dissidência mostraram assessores da Coreia do Norte em alguns dos até 800 túneis terminados ou em processo de construção.

EFE grc/ma

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