Regime aumenta pressão sobre a oposição após protestos sangrentos

Javier Martín. Teerã, 28 dez (EFE).- O regime iraniano aumentou hoje a ofensiva contra a oposição, com a detenção de pelo menos sete ativistas 24 horas depois de explodir no país os piores e mais sangrentos protestos dos últimos seis meses.

EFE |

Segundo diversos sites da oposição, as Forças de Segurança detiveram nesta segunda-feira dois colaboradores próximos do ex-presidente do país, o reformista Mohamad Khatami, e três assessores do líder do movimento de oposição verde e ex-candidato presidencial, Mir Hussein Moussavi.

O site "Jahannews" explicou que agentes de Segurança prenderam Morteza Haji, ex-ministro e diretor-geral da Fundação pró-reformista "Baran" em seu escritório, e seu adjunto Hassan Rasuli, em sua casa.

Os dois são pessoas próximas a Khatami.

Além disso, foram detidos Ghorban Behzadian Nayad e Mohamad Bagherian, membros da plataforma eleitoral do ex-primeiro-ministro Moussavi, detalhou a televisão estatal por satélite "PressTV".

O site "Fararu" informou sobre a prisão do ativista opositor Emad e-Din Baghi, vencedor de vários prêmios internacionais pela luta em favor das liberdades, enquanto o site opositor "Parlemannews" noticiou a detenção de Ali Reza Bahesti Shirazi, assessor de Moussavi.

Segundo a fonte, Baghi, historiador e jornalista conhecido por defender os direitos humanos e por ser o fundador do Comitê de defesa dos presos, foi detido em sua casa.

Horas antes, o site "Jaras", administrado igualmente pela oposição, tinha informado que a Polícia iraniana prendeu na madrugada o ex-ministro iraniano de Assuntos Exteriores e relevante figura da oposição, Ibrahim Yazdi.

Nenhuma das informações foi confirmada por outros órgãos de imprensa, já que o Governo iraniano proibiu a atuação da imprensa internacional em manifestações da oposição.

De acordo com os sites, as forças de segurança se posicionaram às 3h da hora local (21h30 em Brasília) na casa de Yazdi, em Teerã, pouco após ter detido seu sobrinho.

O ex-ministro, líder do Movimento Livre, foi um dos principais envolvidos na revolução que em 1979 tirou do poder o último Xá de Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi.

Chefe da diplomacia iraniana no primeiro Governo posterior à revolta, deixou o poder quando os clérigos começaram a apropriar-se dos principais cargos de responsabilidade política no país.

Durante as últimas eleições, Yazdi apoiou o movimento de oposição verde de Moussavi, e se mostrou propício a uma mudança no atual regime.

Ele já foi detido durante os protestos que ocorreram após a divulgação da polêmica vitória eleitoral do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que a oposição pró-reformista considera "fraudulenta".

Desde então, os opositores aproveitaram toda comemoração ou feriado para renovar seus protestos contra o Governo, mas também contra a atuação do regime.

No domingo, milhares de pessoas voltaram a sair às ruas em um dia sangrento no qual morreram pelo menos oito pessoas, segundo números do Conselho Superior de Segurança Nacional à televisão estatal.

As mortes aprofundaram a crise política e social que o Irã atravessa desde as controvertidas eleições e colocaram o regime diante de uma complexa encruzilhada.

Além disso, ampliaram um pouco mais a brecha que parece dividir a classe política e a religiosa, a parte de aumentar o descontentamento popular.

Longe de Teerã, no domingo, ocorreram protestos em outras grandes cidades do país, como Shiraz e Isfahan.

Fontes diplomáticas contaram hoje à Agência Efe que os protestos do domingo são "os mais graves nos últimos seis meses" e que as consequências da violenta repressão em um dia religioso tão importante "provavelmente apareçam em um futuro próximo".

A mesma posição demonstrou, nesta segunda-feira, o clérigo opositor Mehdi Karrubi, um dos candidatos derrotados em junho que denunciou fraude.

Em comunicado divulgado pelo site "Jahannews", o idoso, que já foi em duas ocasiões presidente do Parlamento iraniano, se perguntou "o que levou um sistema religioso matar tanta gente durante o dia santo de Ashura". EFE jm-msh/dm

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