Região mais rica da Bolívia vai às urnas contra Morales

Por Pav Jordan SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - O Departamento de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia, vota neste domingo um referendo para decidir se declara sua autonomia do governo central, no maior desafio enfrentado até agora pelo presidente do país, Evo Morales.

Reuters |

Os dirigentes conservadores da região enfrentaram Morales -- um ex-líder dos plantadores de coca -- ao organizar a votação, que o presidente diz ser ilegal. A autonomia iria teoricamente lhes dar mais controle sobre impostos, formulação de políticas e recursos naturais como as férteis terras cultivadas e as reservas de gás natural.

Primeiro presidente indígena do país, Morales qualifica seus rivais de racistas e separatistas. Seus partidários em Santa Cruz prometeram boicotar o referendo.

Mas uma vitória ressonante do 'sim' poderia forçá-lo a negociar para evitar a extensão da rebelião para outros redutos da oposição no leste, que também querem mais autonomia.

A votação deste domingo é vista como uma rejeição às políticas de Morales, em especial sua iniciativa de refazer a Constituição, com o objetivo de redistribuir grandes propriedades para camponeses e dar mais poder para a maioria indígena e pobre da Bolívia.

'Este é o pior governo em 50 anos', disse Roberto de Castillo, que trabalhava para a estatal do petróleo YPFB, mas deixou a empresa porque se opôs às reformas impostas desde que Morales assumiu o poder, em 2006.

'É hora de a Bolívia deixar seu centralismo para trás. Onde o cérebro falha, tudo o mais dá errado também', acrescentou ele, de pé diante de um edifício público pichado com slogans anti-Morales. Pedestres carregam a bandeira regional verde e branca.

As tensões aumentaram antes da votação na região, de clima tropical, e os manifestantes bloquearam rodovias em Santa Cruz, queimando pneus e montes de lixo na noite de sábado para protestar contra o referendo.

Fotógrafos da Reuters disseram que foram bloqueadas estradas de ligação com as comunidades de San Julian, Villa Paraiso, Cuatro Canadas e Los Angeles. Moradores afirmaram que não permitirão que ninguém vote no referendo.

Antes disso, camponeses no distrito de Yapacani bloquearam estradas para evitar que autoridades locais montassem as seções eleitorais.

A oposição a Morales é grande em Santa Cruz, região plana que abriga um quarto da população da Bolívia e é responsável por um terço da economia e cerca de 10 por cento das reservas de gás natural e petróleo.

Sua grande população de origem européia está exaltada por causa das promessas de Morales de tomar medidas para reverter séculos de discriminação contra os nativos.

Os partidários de Morales em Santa Cruz planejam boicotar o referendo deste domingo, o que indica que um sólido 'sim' é esperado. Analistas políticos dizem que a votação perderia legitimidade se o comparecimento for menor do que 50 por cento.

'Mais pessoas vão abster-se do que admitem até agora, e mais pessoas vão na realidade votar 'não'', afirmou Alvaro Puente, analista em Santa Cruz, principal cidade da Província de Santa Cruz.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG