Região ibero-americana estabelece inovação como ferramenta contra a crise

Rio de Janeiro, 29 jun (EFE).- Os países ibero-americanos estabeleceram hoje no Rio de Janeiro os investimentos em inovação como uma ferramenta básica para diversificar suas economias, se preparar para um desenvolvimento sustentável e se prevenir diante de crise futuras.

EFE |

"Que vamos sair da crise é um fato, mas seria um erro voltar ao modelo antigo. Temos que dar atenção a firmar as bases que sirvam para alcançar uma melhoria da produtividade que ajude a chegar ao objetivo do desenvolvimento sustentável", disse o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias.

Iglesias alertou que os países da região se encontram "longe" de ter conseguido o "dinamismo necessário" para se proteger de futuras turbulências em suas economias e disse que o setor privado é quem deve investir no desenvolvimento da inovação.

"É importante a participação do setor privado nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, que constituem um dos indicadores do grau de maturidade de uma economia", afirmou o secretário-geral na abertura de um seminário de preparação para a 19ª Cúpula Ibero-Americana, que terá lugar em Portugal.

Para Iglesias, os investimentos do setor privado nesta área devem ser estimulados e incentivados pelo Governo e pelas entidades públicas, que devem dar o impulso "inicial" às empresas.

O papel do setor público, segundo o secretário-geral ibero-americano, passa por "promover" entre o empresariado a ideia da relevância de gastar dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, ao mesmo tempo em que "deve financiar" uma série de atividades "básicas" e obras de infraestrutura em apoio a essa área.

Na mesma linha, a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, declarou que o investimento em pesquisa e desenvolvimento é o único caminho para aumentar a produtividade e contribuir para não dar espaço ao subdesenvolvimento.

"Devemos nos antecipar no desenvolvimento de novos paradigmas, encontrar nichos (de tecnologia) que possamos desenvolver na região e que nos ajudem a ir adiante", afirmou Bárcena.

A secretária-geral da Cepal apresentou dados preocupantes os quais constatam que os gastos em pesquisa e desenvolvimento na América Latina se mantiveram "inalterados" na última década.

A única exceção é o Brasil, que passou de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1990 para o dobro desse valor em 2006, segundo Bárcena.

A secretária-geral da Cepal lembrou que existem muitas disparidades na região. De acordo com ela, Honduras e Guatemala que gastam em pesquisa e desenvolvimento cerca de 0,05% de seu PIB, enquanto Chile e Argentina gastam 0,5% e 0,6%, respectivamente.

Bárcena comentou que o atraso tecnológico foi superado em áreas como a telefonia celular, que tem uma penetração de 70% na população da América Latina, mas que o problema continua sendo preocupante em relação a tecnologias "mais avançadas".

A secretária-geral citou como exemplo a conexão de internet de banda larga, que só chega a 4% dos lares, contra 23% nos países europeus mais ricos, e destacou o setor de nanotecnologia, no qual os países latino-americanos só originam 0,02% das patentes no mundo.

Como fazer com que o setor privado guie o salto qualitativo rumo ao investimento em pesquisa e desenvolvimento é o objeto deste seminário, que termina amanhã no Rio.

A esta reunião se somam uma oficina sobre inovação realizada na cidade espanhola de Salamanca em março, um seminário sobre conhecimento organizado em Buenos Aires no início de junho e outros dois que terão lugar em Monterrey (México) e Lisboa no mês que vem.

Estas reuniões definirão os temas de discussão para a 19ª Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de Governo, que será realizada em 30 de novembro e 1º de dezembro na cidade portuguesa de Estoril e terá como tema a inovação e o conhecimento. EFE mp/bba

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