Região ibero-americana abre cúpula decidida a enfrentar crise

San Salvador, 29 out (EFE).- A região ibero-americana abriu hoje sua 18ª cúpula anual decidida a coordenar ações para evitar que a crise global aumente os abismos sociais e a participar com voz própria na reconstrução do sistema financeiro internacional.

EFE |

"Não podemos pensar apenas no desabe das bolsas, temos de evitar o desabe social", afirmou a presidente do Chile, Michelle Bachelet, durante a inauguração da cúpula em San Salvador, um ato que foi assistido por 14 chefes de Estado e de Governo e representantes de 22 países.

"Temos diante de nós um desafio histórico, porque nossa juventude espera uma resposta à altura dos novos tempos", acrescentou Bachelet, em alusão aos jovens e ao desenvolvimento, assuntos centrais desta cúpula, embora deslocados em função da gravidade da crise financeira.

O presidente anfitrião, Antonio Elías Saca, pediu que não se fale de crise no encontro, mas de soluções, e defendeu a elaboração de "um documento que sirva como carta de negociação em relação ao mundo, aos que criaram a crise e ao que a sofrerão ainda com maior força que a região ibero-americana".

O secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, também discursou na inauguração, e pediu que a região trabalhe em conjunto para enfrentar uma crise que definiu como "grave e inédita", e que "supera em complexidade a crise da década de 30".

Segundo Iglesias, a região ibero-americana "não pode ficar à margem de dar respostas de acordo com a magnitude do problema", e deve ter um papel fundamental na "reconstrução da arquitetura financeira mundial".

O secretário ibero-americano admitiu que a forte queda das bolsas de valores no mundo "afeta o consumo e atrapalha o ritmo de crescimento", mas sustentou que hoje a América Latina "está muito mais preparada" para enfrentar uma crise.

Baseou seu otimismo no fato de que a região tem "suas economias abertas, com superávit em conta corrente e sistemas bancários saneados", mas alertou que a região não está livre de riscos.

A abertura da Cúpula Ibero-Americana contou também com um discurso em videoconferência do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que em uma breve mensagem afirmou que "é preciso uma liderança forte" para enfrentar a atual crise financeira mundial.

Estavam presentes na cerimônia os chefes de Estado e do Governo de Andorra, Costa Rica, Chile, Espanha, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e República Dominicana.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, chegou a El Salvador no momento da realização da cerimônia, pouco depois do boliviano Evo Morales.

Ainda é esperada para hoje a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu colega equatoriano, Rafael Correa. O colombiano Álvaro Uribe e o nicaragüense Daniel Ortega chegarão na quinta-feira.

Os únicos ausentes serão o uruguaio Tabaré Vázquez, o venezuelano Hugo Chávez, o cubano Raúl Castro e o presidente português, Aníbal Cavaco Silva.

Após a inauguração, que foi encerrada com uma apresentação do cantor mexicano Alejandro Fernández, os líderes se dirigiram à Casa Presidencial de El Salvador, para um jantar de gala oferecido pelo governante anfitrião.

Amanhã acontecerá a primeira sessão de trabalho da cúpula, que será seguida por um encontro privado com a participarão apenas dos presidentes, e no qual atual situação financeira global será tema principal.

A crise foi analisada hoje pelos chanceleres, que acordaram a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma declaração sobre seu impacto e possíveis saídas.

Esse grupo técnico redigiu hoje mesmo uma minuta, à qual a Agência Efe teve acesso, que trata a possibilidade de pedir a convocação de uma reunião "urgente" de chefes de Estado e de Governo nas Nações Unidas.

Se o documento for aprovado, será anexado aos que serão assinados pelos chefes de Estado e de Governo na próxima sexta-feira, antes do encerramento oficial da cúpula. EFE ed/mh

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