Região gasífera boliviana define últimos detalhes para seu referendo autonômico

A região de Tarija, onde estão concentradas 85% das reservas de gás da Bolívia, realizará neste domingo um referendo para a adoção de um regime autonômico, num ato de rebeldia contra o presidente Evo Morales, que já suspendeu duas viagens em seis dias a esse departamento por protestos contra a sua visita.

AFP |

Caso a autonomia seja aprovada (as pesquisas apontam que 75% dos votos seriam favoráveis ao 'Sim'), Tarija se tornará o quarto departamento boliviano a aprovar sua autonomia, depois de Santa Cruz, Beni e Pando, que organizaram seus referendos entre maio e junho.

O departamento do sul da Bolívia, com 38.000 km2 e 400.000 habitantes na fronteira com a Argentina e o Paraguai, tem registrado tensões prévias à consulta deste domingo.

Há a preocupação de que haja violência entre grupos pró-autonomia e partidários do governo de Evo Morales, que pretendem atrapalhar o referendo.

Na quarta-feira, Morales se viu obrigado a suspender pela segunda vez em seis duas um ato público na região para evitar protestos contra seu governo, convocados pela oposição.

O presidente viajaria a Tarija - capital do departamento de mesmo nome - para entregar ambulâncias e recursos econômicos, mas setores cívicos se mobilizaram nas imediações do aeroporto local e em estradas próximas, que bloquearam para evitar a chegada de Morales.

No sábado passado, Morales tinha uma reunião marcada com o presidente paraguaio, Nicanor Duarte, e com o presidente recém-eleito deste país, Fernando Lugo, na cidade de Villamontes, em Tarija, mas uma mobilização civil fez com que o governo decidisse realizar a reunião em uma guarnição militar.

Um dia antes, o presidente tampouco pôde inaugurar uma ponte no departamento de Santa Cruz (leste da Bolívia), feudo da oposição.

Em declarações reproduzidas pelo jornal La Razón nesta quinta-feira, o porta-voz da presidência Iván Canelas disse que está preocupado com o cancelamento das viagens de Evo Morales a vários pontos do país, como Pando e Sucre.

Sobre as pessoas que protestam para evitar a chegada do presidente a suas cidades, Canelas afirmou que "nos preocupam muito, porque são atitudes delituosas das mesmas pessoas que vão de um lugar para outro. Não queremos que comece um processo de violência, mas (...) não permitiremos que estes grupos que exportam violência causem problemas em toda parte".

Desde que Morales assumiu a presidência da Bolívia, em janeiro de 2005, passou pot fortes enfrentamentos com as regiões de Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, conhecidas como a 'meia-lua' e responsáveis por 45% do Produto Interno Bruto do país.

Esses quatro departamentos foram avançando até conseguir suas autonomias, que o governo central se nega a reconhecer.

Por outro lado, Morales impulsiona um projeto de Constituição de cunho indigenista e estadista que a oposição considera ilegítimo, por ter sido aprovado na Assembléia Constituinte sem debate nem consenso.

Com duas visões de país tão diferentes e sem que a crise se resolva, aproxima-se o dia 10 de agosto, quando os bolivianos votarão num referendo destinado a revogar ou confirmar os mandatos de Morales, de seu vice-presidente e dos nove prefeitos departamentais.

bur-jlv/ap

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