Região cocaleira apóia Morales no referendo de domingo

Por Rodrigo Martínez VILA 14 DE SETEMBRO, Bolívia (Reuters) - Na exuberância topical da região do Chapare, no coração cocaleiro da Bolívia, multiplicam-se os cartazes em defesa do voto no sim ao presidente boliviano, Evo Morales, no referendo que no domingo definirá seu futuro no cargo.

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Morales surgiu no cenário nacional como líder sindical e político nesta zona do departamento de Cochabamba, no centro da Bolívia, e embora os povoados do Chapare tenham recebido melhorias desde que ele se tornou presidente, as crianças pequenas que caminham descalças pelo barro lembram que está é uma das regiões mais pobres da América do Sul.

As terras quentes do Chapare, uma das áreas mais chuvosas do planeta, receberam da parte ocidental do país imigrantes quechuas e também aimarás, a etnia de Morales, que deve votar no domingo na escola da localidade de Vila 14 de Setembro, onde ele despontou como dirigente cocaleiro.

'Todos nós estamos orgulhosos porque está é a central (sindical) dele, onde se formou no meio sindical e político, e graças a esta luta há mudanças profundas,' disse Edgar Torres, agricultor e secretário-geral da central sindical da Vila 14 de Setembro.

'Creio que todos os bolivianos vão ratificar nosso presidente amanhã (domingo),' acrescentou Torres, de 39 anos, enquanto mastigava folhas de coca, parte da ancestral tradição boliviana. Ele vestia uma camiseta azul, branca e preta do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales.

Ao contrário de presidentes anteriores do país, Morales se opõe à erradicação total da plantação de coca. Ele fez sua carreira política na defesa da coca e apóia um controle da produção para o consumo tradicional ao mesmo tempo que promete combater o narcotráfico, que utiliza a folha para produzir cocaína.

APOIO COCALEIRO

A organização sindical da Vila 14 de Setembro é uma das seis federações do Chapare agrupadas em uma 'coordenadoria' presidida por Morales. Cada um dos cerca de 30 mil membros dessas federações tem permissão para cultivar até 1,6 mil metros quadrados de coca.

As folhas colhidas são secadas ao sol e enviadas ao mercado em pacotes de cerca de 23 quilos. Dependendo da época do ano, o pacote pode custar entre 1,2 mil e 2 mil bolivianos cada um, ou seja, entre 170 e 286 dólares. Não há estatísticas confiáveis sobre a quantidade de coca do Chapare desviada para o narcotráfico.

Os bolivianos terão de decidir se Morales e oito dos nove governadores dos departamentos devem continuar no poder, em um momento em que há conflitos entre o governo central, que quer impor ao país uma Constituição socialista, e a oposição, que se opõe a isso declarando a autonomia de alguns dos departamentos que administra.

O conflito mantém a Bolívia profundamente dividida e tem provocado uma onda de violência que alarma toda a região, especialmente Argentina e Brasil, cujas economias dependem do gás boliviano.

Pesquisas indicam a ratificação de Morales no referendo, mas apontam dúvidas sobre se alguns dos governadores opositores, incluindo o de Cochabamba, conseguirão se manter no poder, por isso a incerteza domina o país.

(Reportagem de Rodrigo Martínez)

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