Região central da Itália é devastada por terremoto; pelo menos 70 morreram

Roma, 6 abr (EFE).- A região italiana de Abruzzo foi atingida no final da noite de ontem por um terremoto de 5,8 graus de magnitude na escala Richter e que deixou pelo menos 70 mortos, dezenas de milhares de desabrigados e danos materiais em inúmeros imóveis.

EFE |

As imagens exibidas na televisão italiana são as de um desastre de enormes proporções, com pessoas sendo retiradas cobertas de pó de entre os escombros, enormes crateras e edifícios reduzidos a entulho.

O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, afirmou que os serviços de socorro começaram a agir "15 minutos depois" do terremoto e que não poderia ter havido reação mais rápida.

No entanto, o desastre ultrapassou qualquer capacidade de reação das equipes de resgate. A imprensa local noticiou casos como o de um jovem engenheiro, que declarou ao jornal "La Repubblica" que permaneceu imóvel por três horas sob os escombros até que várias pessoas o recuperaram "com suas próprias mãos".

A dimensão da catástrofe é tal que o próprio ministro da Saúde italiano, Maurizio Sacconi, pediu por meio da imprensa para que os cidadãos italianos doem sangue.

Os números dizem tudo: pelo menos 100 mil desabrigados e dezenas de vilarejos destruídos pelo tremor registrado às 3h32 locais (22h32 de domingo, horário de Brasília).

Os testemunhos são impressionantes. Saul Chiuchiarelli, morador da cidade de L'Aquila, a mais afetada pelo terremoto, contou que acordou com o tremor e viu que pedaços do teto e das paredes caíam em seu quarto. "Não só o gesso, mas parte do concreto caía; por sorte, nenhum me atingiu", declarou.

Tanto ele quanto alguns de seus vizinhos correram para as escadas de emergência. Segundo explicou, elas tremiam, mas mesmo assim foram usadas por todos os moradores do prédio conseguiram chegar ilesos à rua.

Capital da região de Abruzzo, L'Aquila é o núcleo da catástrofe.

As estradas que levam à cidade, de 80 mil habitantes, estão bloqueadas e os trens não chegam à estação.

Durante o final de semana, diversos pequenos tremores foram registrados na região.

O chefe do serviço de Defesa Civil italiano, Guido Bertolaso, afirmou hoje que era "impossível prever" o terremoto e, portanto, não cabia pensar em um plano de evacuação na zona.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que decretou estado de emergência e convocou para esta tarde uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, pediu para que a polêmica seja "deixada de lado e que haja ajuda para quem precisa".

Berlusconi cancelou sua visita oficial à Rússia prevista para hoje.

Diversos líderes mundiais, como o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ofereceram suas condolências ao Governo italiano pelas consequências da catástrofe.

A imprensa local reflete um panorama de pânico e destruição total na região do epicentro do terremoto, a cerca de dez quilômetros de L'Aquila.

"Não sei quantas pessoas ficaram sob os escombros. Eu estava com minha mulher na cama no segundo andar. No primeiro, estava minha mãe com meus filhos. Todos os tetos caíram. Não sei nem como conseguimos sair com vida", declarou um sobrevivente do terremoto ao jornal italiano "Corriere della Sera".

Em meio à destruição, também houve lugar para o heroísmo. Foi o caso de uma equipe de rugby, que nas primeiras horas de destruição conseguiu remover dos escombros um grupo de mulheres idosas. EFE

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