Refugiados voltam a suas casas após suspensão de ataques na RDC

Kinshasa, 31 out (EFE).- Milhares de refugiados começaram a voltar a suas casas no leste da República Democrática do Congo (RDC) após a suspensão dos ataques de rebeldes, informaram hoje fontes oficiais.

EFE |

Muitos dos refugiados aproveitaram os "corredores humanitários" abertos pelos guerrilheiros do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) para retornar a suas casas na província de Kivu Norte, onde este grupo, liderado pelo general Laurent Nkunda, iniciou ofensiva na semana passada.

O escritório do Unicef na RDC expressou seu temor de uma possível epidemia de cólera nas zonas de agrupamento dos refugiados, que segundo ela são entre 40 mil e 50 mil nas áreas de Goma e Kibati, embora fontes de outras organizações humanitárias afirmem que eles superam os 200 mil em toda a região.

Montse Barroso, representante de Cruz Vermelha espanhola em Ruanda, disse à agência Efe por telefone que na quarta-feira 1.200 pessoas cruzaram a fronteira, vindas da RDC, mas que apenas cerca de 100 permaneceram refugiados, já que a maioria começou a voltar ontem após saber da suspensão dos combates.

Goma, capital do Kivu Norte, abandonada por grande parte de população, recuperou hoje parte da normalidade, há maior circulação de veículos e algumas lojas começaram a abrir, após fecharam nos dois últimos dias por temor da entrada dos rebeldes tutsis, que pararam seu avanço a apenas 7 quilômetros da cidade.

Unidades das Forças Armadas da RDC, da Polícia e da Missão das Nações Unidas para o Congo (Monuc) seguem patrulhando Goma, segundo disse à Efe por telefone desta cidade um inspetor policial que não se identificou.

"Queremos aumentar a capacidade da Polícia para garantir a segurança (em Goma)", disse a fonte, ressaltando que a Monuc manterá seu apoio a suas forças para proteger a população.

O inspetor informou que policiais mataram dois soldados das forças governamentais e feriram outros três que tentavam assaltar um comércio após saquear uma casa em Goma.

Por sua parte, Alan Doss, representante especial da Secretaria- Geral da ONU na RDC, confirmou que a Monuc deslocou mais soldados procedentes de outras zonas do país para Goma.

Enquanto isso, Nkunda, chefe dos rebeldes, reiterou que quer negociações diretas com o Governo de Kinshasa, do presidente Joseph Kabila, e também tratar sobre os fundos obtidos pelo país por permitir a exploração de seus recursos minerais.

Hoje mesmo, segundo uma fonte do Governo, são esperados na RDC o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, e do Reino Unido, David Miliband, que tratariam de mediar negociações entre o Governo e os rebeldes para evitar uma piora da situação e um desastre humanitário no leste do país. EFE py/jp

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