Reformistas se preocupam em ter eleições limpas no Irã

Javier Martín. Teerã, 9 jun (EFE).- Um pleito com resultados limpos é uma das preocupações compartilhadas dos candidatos opositores nas eleições presidenciais do Irã, que acontecerão na próxima sexta-feira, sem a presença de observadores internacionais.

EFE |

Em sua última entrevista coletiva de campanha, o candidato reformista Mehdi Karroubi afirmou hoje que espera um alto índice de participação na próxima sexta-feira, e que o mais importante é que as eleições "sejam limpas".

"Prevejo um alto índice de participação. Esse é nosso objetivo, junto ao fato de que as eleições se desenvolvam com normalidade e transparência", disse Karroubi.

Em 2005, Karroubi já havia denunciado uma fraude que o teria afastado do segundo turno a favor do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

"Nosso principal temor é que (o Ministério do Interior) faça chegar tarde até nós os cartões de credenciamento dos observadores e se impeça sua presença nos colégios", disse Morteza Alviri, diretor do comitê de vigilância dos votos da plataforma de Karroubi.

"Também nos preocupa que se boicote a presença dos observadores, com acusações falsas, como provocar desordens. E certamente na apuração de votos, que é onde ocorre a maior parte da fraude", acrescentou.

O Irã não permitiu que o pleito, entendido como crucial para o futuro do país, conte com a presença de observadores internacionais.

Segundo a Lei Eleitoral iraniana, cada candidato tem direito a que um delegado de sua campanha esteja presente em cada um dos 49 mil colégios eleitorais que serão instalados em todo o país, desde que estes abram até a apuração dos votos.

Na segunda-feira, o diretor do centro eleitoral nacional, Kamran Daneshju, disse que os delegados de cada candidato já tinham sido credenciados para os colégios, mas que não teriam acesso ao Ministério do Interior, onde serão compilados os resultados que chegarem de todos os cantos do país.

"Não poderão ter acesso ao Ministério do Interior. Contamos há seis meses com um observador do Conselho de Guardiães", órgão de grande poder que supervisiona todo o processo eleitoral e que precisa referendar os resultados.

Longe da soma definitiva, os candidatos farão seus maiores esforços para evitar irregularidades no próprio processo de votação.

Uma das preocupações mais fortes são as 13,25 mil "urnas volantes" - 33% do total - que durante as dez horas de votação se movimentarão entre as localidades menores e mais remotas do país.

"Os reformistas estão trabalhando juntos e decidimos que nossos comitês de vigilância do voto cooperem. Inclusive, vamos cobrir um ao outro naqueles colégios onde um dos candidatos não tiver representante", afirmou Alviri.

"Previmos cerca de 46 mil observadores e lhes preparamos com instruções precisas. Devem nos informar das irregularidades que observarem para que nós depois levemos uma queixa ao Conselho de Guardiães", disse.

No entanto, mesmo nesta parte do processo, tanto a campanha de Karroubi quanto a do principal candidato pró-reformista, Mir Hussein Mousavi, temem fraudes.

"Existe a possibilidade de que provoquem irregularidades nos sistemas de comunicação, como telefones, celulares ou internet, para que os observadores não possam nos enviar avisos sobre casos da fraude ou que seja usada qualquer desculpa para impedir que façam seu trabalho", disse Alviri.

O diretor do centro eleitoral nacional já advertiu na segunda-feira que os observadores não podem mostrar símbolos que identifiquem seu candidato, nem podem fazer campanha aos eleitores que forem às urnas.

Aqueles que estiverem credenciados para vários colégios não podem voltar nos mesmos, uma vez que os tenham visitado.

"Os que não respeitarem as normas serão expulsos e não poderão entrar em nenhum outro colégio", advertiu Daneshju.

Alviri teme especialmente o Exército e a milícia de voluntários islâmicos Basij, na maioria favoráveis à reeleição de Ahmadinejad.

"Existe a possibilidade de um tipo de fraude que seja o voto organizado dos militares e dos Basij. Ou que escrevam os votos para pessoas analfabetas", avisou.

A apenas três dias das eleições, as previsões indicam um resultado muito apertado e mostram a possibilidade de um segundo turno, uma semana depois, entre Ahmadinejad e Mousavi.

Como Daneshju lembrou na segunda-feira, haveria um segundo turno se nenhum dos quatro candidatos obtiver a metade mais um dos votos emitidos e considerados válidos, mesmo que sejam nulos. EFE jm-msh/an

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