Reformistas confiam que eleições tirem Ahmadinejad do cargo

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - Os candidatos à presidência iraniana encerraram uma acirrada campanha eleitoral nesta quinta-feira, véspera da eleição no Irã, e reformistas têm a expectativa de que o presidente linha dura Mahmoud Ahmadinejad não consiga conquistar seu segundo mandato.

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A campanha foi marcada por denúncias políticas sem precedentes e grandes comícios em Teerã dos defensores do ex-primeiro-ministro moderado Mirhossein Mousavi.

A eleição altamente disputada da sexta-feira pode determinar o tom das relações do Irã com o Ocidente, que se preocupa com as ambições nucleares do país. Analistas dizem que uma vitória de Mousavi pode favorecer as perspectivas de investimentos ocidentais na República Islâmica.

Para os iranianos, porém, será uma chance de julgar o histórico econômico de Ahmadinejad e sua agenda social islâmica austera.

"Acho que é uma corrida pau a pau (entre Ahmadinejad e Mousavi)", disse um analista de Teerã que pediu para não ter seu nome citado. "É difícil imaginar que um desses dois candidatos consiga mais de 50 por cento dos votos amanhã."

Se nenhum dos quatro candidatos presidenciais conseguir mais de 50 por cento dos votos na sexta-feira, os dois candidatos mais votados irão para um segundo turno eleitoral em 19 de junho. O analista entrevistado achou que Mousavi terá boas chances de vencer um segundo turno.

Outros, porém, prevêem uma vitória do presidente, devido à sua popularidade entre o eleitorado rural pobre. "Ahmadinejad tem muito apoio em todo o país", comentou Hamid Najafi, editor-chefe do conservador Kayhan International.

Os partidários de Mousavi, usando o verde forte que é a cor de sua campanha, vem lotando as ruas da capital em comícios noturnos em clima festivo que não era visto desde a eleição do clérigo reformista Mohammad Khatami, 12 anos atrás.

Os partidários de Ahmadinejad vêm promovendo manifestações enormes, expressando seu apoio a um líder que deu petrodólares aos pobres e desafiou a pressão do Ocidente para que o Irã suspenda seu programa nuclear.

Os comícios vibrantes e em grande medida bem humorados formam um contraste com a troca de acusações políticas fortes entre os candidatos.

Os adversários de Ahmadinejad o acusam de mentir sobre a economia iraniana, atingida pela alta de preços e o desemprego, e Ahmadinejad enfureceu o poderoso ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, partidário de Mousavi, ao acusá-lo de corrupção.

Um importante político moderado disse à Reuters que Rafsanjani escreveu uma carta aberta ao líder supremo aiatolá Ali Khamenei, exortando-o a frear Ahmadinejad.

Além disso, Rafsanjani se reuniu com Khamenei na terça-feira para expressar seu receio de que a eleição seja fraudada.

"Rafsanjani exortou o líder a usar sua autoridade para assegurar que a eleição seja limpa e saudável", disse o político.

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