IRÃ - Um importante representante do campo reformista iraniano, julgado neste sábado junto a outras 100 pessoas pelos protestos contra a reeleição do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, disse que as denúncias de fraude apresentadas pela oposição são falsas.

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Iranianos detidos em protestos pós-eleições começam a ser julgados

Iranianos detidos em protestos pós-eleições são julgados

Um mês e meio depois das manifestações violentamente reprimidas pelo governo, que acusavam o governo de ter fraudado as eleições presidenciais, o tribunal revolucionário organiza o primeiro julgamento dos presos. Ao todo, foram duas mil pessoas detidas, mas a maioria já foi libertada.

Os dois principais candidatos da oposição, Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karubi, se recusaram a aceitar o resultado das eleições, acusando Ahmadinejad de fraude e incentivando os protestos.

"Digo a todos os meus amigos, e a todos os amigos que nos ouvem, que a questão da fraude é uma mentira criada para provocar distúrbios com a intenção de transformar o Irã em (um país como) Afeganistão e Iraque, amargando prejuízos e sofrimentos", declarou Mohamad Ali Abtahi, ex-vice-presidente do reformista Mohamad Khatami (1997-2005).

Se estes planos se concretizassem, "não restaria nem o nome nem o rastro da Revolução Islâmica" de 1979, acrescentou Abtahi, que trabalhou como assessor de Mehdi Karubi durante a campanha eleitoral.

Segundo Abtahi, Moussavi e o ex-presidente Akbar Hachemi Rafsanyani (1989-1997) haviam "jurado" ser solidários.

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Mohammad Ali Abtahi
"Moussavi provavelmente não conhecia o país, mas Khatami, apesar do respeito que lhe devo (...), conhecia perfeitamente a situação. Conhecia o poder do Guia (Supremo, o aiatolá Ali Khamenei), mas se uniu a Moussavi e isto foi uma traição", indicou Abtahi, que é membro do clero.

Além disso, afirmou que Rafsanyani tinha como objetivo se vingar da derrota sofrida nas eleições presidenciais de 2005, quando Ahmadinejad derrotou os reformistas.

Abtahi, no entanto, admitiu também ter traído o Irã. "Cometi um erro ao participar das concentrações (de protesto), mas Karubi me disse que não podíamos convocar manifestações com resultados tão baixos, e que era melhor irmos nós mesmos às ruas para protestar", acrescentou.

Ahmadijenad foi declarado vencedor das eleições do dia 12 de junho com 63% dos votos, contra 34% para Moussavi e 0,85% para Kurabi, segundo os resultados oficiais.

Segundo a imprensa iraniana, os réus "participaram nos distúrbios e são acusados de ter atuado contra a segurança nacional, perturbado a ordem pública e cometido atos de vandalismo".

Outro acusado, Mohamad Atrianfar, membro importante do campo reformista, também expressou sua lealdade ao regime.

"Qualquer grupo radical ou movimento que atua em nome da reforma (...) e cujo comportamento procura enfraquecer o regime deve pôr fim a este tipo de ação e se desculpar", declarou, citado pela agência oficial IRNA.

Os acusados podem ser sentenciados a até cinco anos de prisão, segundo a agência Fars, acrescentando que, se forem reconhecidos como "mohareb" (inimigo de Deus) pelos magistrados, podem ser condenados à morte.

Pelo menos 30 pessoas morreram nos protestos contra a reeleição de Ahmadinejad, os maiores organizados no país desde a Revolução Islâmica, em 1979.

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