Reforma migratória somaria US$ 1,5 tri à economia dos EUA, diz estudo

César Muñoz Acebes. Washington, 8 jan (EFE).- Uma reforma migratória que legalize os trabalhadores imigrantes ilegais e amplie as possibilidades de imigração legal somaria pelo menos US$ 1,5 trilhão à economia americana em dez anos, afirma um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

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O relatório, do professor Raúl Hinojosa Ojea e divulgado na quinta-feira, afirma que a regularização dos 12 milhões de estrangeiros imigrantes ilegais que estariam atualmente no país elevaria seus salários e a produtividade, o que significa mais receita tributária e mais consumo.

O estudo foi elaborado com base de uma análise dos efeitos econômicos da última legalização, ocorrida em 1986, a que "deu um estímulo à recuperação", disse Ojeda.

O documento foi apresentado em entrevista coletiva no Centro para o Progresso Americano, uma ONG vinculada ao Partido Democrata que é a favor da reforma migratória.

O objetivo do estudo é refutar análises realizadas por associações que são contra a reforma e que destacam o custo que os imigrantes ilegais teriam para os cofres públicos.

Steven Camarota, do Centro de Estudos de Imigração (CIS, em inglês), por exemplo, estimou em novembro do ano passado que os trabalhadores imigrantes ilegais custam US$ 10,3 bilhões anuais ao Governo federal pelos serviços que recebem, e o preço a ser pago pelos estados e municípios é "muito maior".

Camarota afirmou que esse número "quase triplicaria" com a legalização dos trabalhadores imigrantes ilegais, pois estes teriam direito a novas ajudas, como o seguro-desemprego.

Dan Griswold, especialista do Instituto Cato, admitiu, na entrevista coletiva, que os imigrantes usam mais serviços públicos que o resto da população, por causa do menor nível de renda.

No entanto, segundo ele, esse fator "é minimizado pelo impacto positivo geral da imigração na economia".

O Instituto Cato, um centro de estudos independente, divulgou seu próprio estudo sobre o tema em agosto do ano passado e, com diferente metodologia, chegou a uma conclusão praticamente idêntica à de Ojeda.

Segundo seus cálculos, a reforma migratória significaria US$ 180 bilhões adicionais às famílias americanas em 2019, frente aos US$ US$ 189 bilhões extras de Produto Interno Bruto (PIB) estimados pelo documento publicado hoje.

Os dois relatórios dão motivos econômicos a favor de uma reforma que voltou ao âmbito político, impulsionada pelo presidente americano, Barack Obama, e líderes de seu partido.

O estudo de Ojeda calcula que a deportação em massa de imigrantes eliminaria US$ 2,6 trilhões do PIB do país em dez anos.

"Em todos os setores da economia, uma política migratória mais restritiva seria algo catastrófico", disse o professor.

Diante destes números, sua recomendação é que o Congresso aprove uma reforma migratória ampla, que não determine que os futuros imigrantes trabalhem para uma companhia específica e permita sua estadia permanente. EFE cma/an

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