Reforma do sistema de saúde divide e confunde norte-americanos

Por Michelle Nichols NOVA YORK (Reuters) - A reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos está sendo celebrada nos círculos políticos como a maior mudança da saúde pública no país em quatro décadas, mas o projeto que o presidente Barack Obama conseguiu aprovar no Congresso deixou os norte-americanos divididos e confusos.

Reuters |

"Não sei nada a respeito", disse a corretora de imóveis Kathy Ivcich, de 53 anos, enquanto mostrava um imóvel de Chicago a clientes.

"Por isso tenho de dar uma olhada no noticiário de hoje à noite (...), porque não tenho ideia de se ou como isso vai me afetar, sendo eu autônoma."

Embora a aprovação do pacote tenha sido manchete em todos os jornais, no centro de Manhattan muita gente dava de ombros ao ouvir falar do assunto, alegando não saber o suficiente sobre isso.

Mas Patrick Gill, que trabalha numa casa de apostas de Nova York, disse ter assistido ao debate e à votação de domingo na Câmara, e ficou satisfeito.

"Não acho que alguém tenha lido (o projeto) inteiro. Pessoalmente, tenho cobertura da empresa (em termos de plano de saúde), então não acho que vá ter um impacto direto sobre mim, mas tem muita gente vivendo mal por não ter cobertura suficiente, e por esses fico feliz com este resultado."

O aposentado John Mendell, de 62 anos, morador de Naples, na Flórida, disse que o sistema antigo tinha defeitos, mas que a reforma o preocupa.

"Os cortes no Medicare me preocupam, e também o preço final que teremos que pagar, que eu acho que é muito maior do que indica o CBO (Escritório de Orçamento do Congresso)", disse ele. "Mas tomara que em 2012 os republicanos assumam a Presidência, e eles vão repelir os pedaços repugnantes dessa lei."

Melliza Taipe, que vive no Queens, em Nova York, e é dona de uma pequena loja de móveis, disse simpatizar com a lei, mas não sabe como ela afetará seu negócio. "Acho que (Obama) fez a escolha correta, mas acho que eu preciso de mais informação.

Doug Hill, de 32 anos, assistente jurídico de Los Angeles, não é tão fã da reforma. "Ela não resolve o problema básico: os planos de saúde são caros demais e muita gente não pode pagar por eles."

Steve Cretella, de 25, funcionário de uma loja Apple em Naples, Flórida, disse não entender por que a reforma não goza de apoio unânime no país. "Acho que como uma superpotência deveríamos arcar com a responsabilidade de cuidar dos nossos", afirmou.

George Fleming, consultor de transição de carreiras em Phoenix, Arizona, se mostrou animado com a aprovação na Câmara.

"Sob qualquer medida, precisávamos desesperadamente de alguma coisa. É perfeito? Não. (Mas) o resultado é que estou satisfeito por termos dado o primeiro passo. O que eu acho que veremos nos próximos meses são ideias para refiná-lo."

O estudante Joe Kohler, de 32 anos, de Los Angeles, disse: "Não sei nada a respeito. Basicamente ouvi falar que passou, mas não sei o que é."

(Reportagem adicional de Edith Honan, em Nova York; de Tim Gaynor, no Phoenix; de Andrew Stern, em Chicago; de Dan Whitcomb, em Los Angeles; e de Kristine Cooke, em Naples)

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