Referendo que decidirá futuro de Chávez tem grande participação eleitoral

Caracas, 15 fev (EFE).- Os venezuelanos decidem hoje, em um dia que transcorre com normalidade, se aprovam uma emenda constitucional que permitiria ao presidente Hugo Chávez voltar a concorrer a um terceiro mandato consecutivo em 2012.

EFE |

"Tenho muita consciência de que hoje, aqui, nas mesas eleitorais, entre muitas outras coisas que são mais importantes, meu destino político está sendo decidido. Para mim, como ser humano, como soldado, é muito importante", declarou Chávez à imprensa, após votar em um centro do bairro de 23 de enero, em Caracas.

"Aqui, estamos jogando o ser ou não ser" uma nação livre, soberana e socialista, os pilares da "revolução bolivariana", ressaltou Chávez, que foi votar acompanhado dos filhos e netos no colégio eleitoral.

O presidente, que, aos 54 anos, acaba de completar uma década no poder, disse que espera "que a vontade" da maioria dos venezuelanos convocados hoje às urnas para se pronunciar sobre a emenda à Carta Magna se imponha.

Depois de reiterar seu apelo a que "todos" os setores do país respeitem "a vontade do povo soberano", Chávez ressaltou que há uma "boa participação" eleitoral, a qual calculou em 40% até o meio-dia.

Pouco antes do discurso de Chávez, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, afirmou que a jornada registra uma grande participação eleitoral, mas destacou que não houve filas longas, porque o processo de votação está sendo bastante "ágil".

Tanto Lucena quanto outras fontes oficiais destacaram que não foram reportados incidentes graves durante o dia, e que alguns problemas menores nas mesas eleitorais foram resolvidos no início da votação.

As autoridades militares encarregadas de garantir a ordem durante o referendo informaram da detenção de várias pessoas por incorrer em crimes eleitorais e por tentar promover desordens.

O major-general Jesús González, chefe do Comando Estratégico Operacional (CEO), não especificou o número de detidos, mas disse que no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, 11 pessoas foram retidas temporariamente, duas delas menores, porque tentaram perturbar a ordem perto de um colégio eleitoral.

Segundo o chefe do CEO, as demais detenções estão relacionadas à destruição do comprovante de votação, a defeitos em alguma máquina eleitoral ou à agressão a algum membro de mesa ou aos que vigiam o local.

González, que insistiu em que esses são atos isolados, qualificou o referendo de "processo extraordinariamente bem-sucedido", e disse que a jornada à qual foram convocados cerca de 17 milhões de venezuelanos se desenvolve como "uma demonstração de maturidade democrática e de civismo".

A maioria dos dirigentes políticos, tanto do Governo quanto da oposição, votou no início da manhã, e muitos deles convocaram a população a participar do processo.

O líder da oposição e prefeito da cidade de Maracaibo, Manuel Rosales, ressaltou que, "em termos gerais, a coisa vai muito bem", após votar em um colégio de sua cidade.

"As pessoas estão votando, alegres", ressaltou o ex-candidato presidencial e líder do partido opositor Um Novo Tempo (UNT), que foi derrotado nas eleições de dezembro de 2006 por Chávez.

Rosales minimizou a importância dos inconvenientes registrados em alguns colégios eleitorais, e disse que foram "fatos isolados".

"Em termos gerais, a coisa vai muito bem. Acho que o importante é que aqueles que ainda não votaram saiam de casa e votem", afirmou o representante do UNT, que também considerou que esta segunda-feira será um dia de "muita alegria, paz e esperança".

O fechamento dos centros eleitorais ocorrerá às 18h (19h30 de Brasília), mas, como lembrou hoje a presidente do CNE, o colégio onde houver eleitores nas filas deve permanecer aberto até que o último exerça seu direito a voto.

Lucena insistiu na "rapidez" do processo e afirmou que a votação dos venezuelanos que moram no exterior também se desenvolve sem incidentes, "com exceção", disse, de um problema no consulado da Venezuela em Madri.

Sobre o episódio, o dirigente opositor Timoteo Zambrano afirmou que o processo de votação foi "reiniciado" nas mesas eleitorais do consulado, e que a apuração será realizada nesta segunda-feira. EFE eb/db

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