Referendo para reeleição de Uribe deve enfrentar obstáculos na Câmara

Bogotá, 20 ago (EFE).- O referendo pelo qual os partidários do presidente colombiano, Álvaro Uribe, buscam autorizar uma segunda reeleição avançou mais um passo com a aprovação no Senado, mas analistas e políticos acreditam que ainda há grandes obstáculos a serem enfrentados durante a votação na Câmara de Representantes.

EFE |

"A briga vai ser dura, duríssima", afirmou hoje o ex-vice-presidente e analista Humberto de la Calle a rádios locais.

Políticos de tendências opositoras como o candidato à Presidência Germán Vargas Lleras, do partido Mudança Radical, e o senador governista Armando Benedetti concordaram que a votação na Câmara de Representantes será muito mais "apertada" que a de ontem à noite.

A Casa aprovou, com 56 votos a favor e dois contra, o projeto de lei para convocar um referendo com o objetivo de consultar os colombianos para saber se eles aprovam uma modificação na Constituição para que Uribe possa se candidatar a uma segunda reeleição em 2010.

Os parlamentares do esquerdista Polo Democrático e do Partido Liberal, ambos de oposição, não participaram da votação.

O texto, aprovado ontem à noite pelo Senado, conciliado previamente por um comitê de parlamentares das duas Casas, estabelece a realização de um referendo sobre a possível segunda reeleição de Uribe para o pleito de 2010.

A iniciativa legislativa passará agora para a Câmara de Representantes, onde será votada provavelmente na próxima terça-feira e, se for aprovada, deverá ser submetida ao exame da Corte Constitucional.

A votação na Câmara será "muito mais acirrada", segundo Vargas Lleras, da Mudança Radical, que fazia parte da coalizão que apoia Uribe, mas não respalda uma segunda reeleição consecutiva em 2010.

"A estratégia da oposição é não formar quórum", disse Benedetti, enquanto de la Calle comentou que vai ser difícil para o Governo reunir os 86 votos necessários para que o projeto de lei obtenha o sinal verde da Câmara de Representantes.

Vargas Lleras denunciou hoje, em declarações a emissoras locais, que vários parlamentares foram "seriamente pressionados" para votar a favor do referendo, mas não precisou de onde vieram as supostas pressões, nem em que consistem.

Já o analista Ricardo Santamaría disse que a "ameaça de possíveis investigações posteriores" aos legisladores que apoiarem o referendo "pesa muito".

Dezenas de congressistas e ex-congressistas foram investigados nos últimos meses, por terem sido supostamente beneficiados por votarem a favor da reforma constitucional que possibilitou a Uribe se reeleger em 2006.

Se o projeto de lei sobre o referendo for aprovado pela Câmara, a Corte Constitucional será atacada tanto por possíveis vícios "na forma" como por questões "de fundo", já que está em jogo "a natureza da democracia".

Uribe venceu as eleições de 2002 e, já no poder, impulsionou uma reforma constitucional para permitir a reeleição presidencial por somente uma vez, o que ele conseguiu em 2006.

O presidente da Colômbia não confirmou ainda se vai se candidatar à Presidência em 2010, mas vários setores, inclusive a Igreja Católica, mostraram sua rejeição à possibilidade de um terceiro mandato, já que o poder não deve ser concentrado nas mãos de uma só pessoa.

Em seus discursos mais recentes, Uribe se limitou a comentar que apoia a reeleição da política de "segurança democrática" que ele mesmo impulsionou durante os sete anos em que está no poder. EFE mb/pd

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