Nova Carta é vista como passo importante para evitar que se repita a violência tribal de 2008

Quenianos comemoram aprovação de nova Constituição por referendo
AFP
Quenianos comemoram aprovação de nova Constituição por referendo
Os quenianos aprovaram sua nova Constituição em um referendo pacífico, que pode remoldar a paisagem política da maior economia da África Oriental, segundo resultados parciais divulgados nesta quinta-feira.

Depois de apurados os votos de cerca de metade dos 210 distritos eleitorais do país, a autoridade eleitoral disse que 67% dos eleitores disseram "sim" à nova Carta e dificilmente o resultado poderá ser alterado.

Os principais jornais não parecem ter dúvidas. "Quênia diz sim" e "É sim" foram as manchetes dos dois principais jornais. Os partidários da nova Constituição já declararam vitória no decorrer da quinta-feira.

"O bravo povo do Quênia falou com uma voz atroadora", disse o ministro da Energia, Kiraitu Murungi. "Dizer que vencemos é pouco. O Quênia renasceu."

O referendo, dois anos depois das acusações de fraude eleitoral que desencadearam uma onda de violência com 1,3 mil mortos, fortaleceu o xelim em relação ao dólar e fez a Bolsa local manter sua trajetória recente de alta.

"A confiança era uma exigência essencial para uma guinada econômica, e o transcurso tranquilo da votação deveria servir muito para salientar isso", disse Razia Khan, economista especializado em África no Standard Chartered Bank.

Após anos de eleições turbulentas, a Constituição é vista como um passo importante para evitar que se repita a violência tribal ocorrida após a eleição do começo de 2008, que empurrou o país de 40 milhões de habitantes para a beira da anarquia.

As mudanças levadas a voto na quarta-feira permitem maior equilíbrio dos poderes presidenciais, mais atribuições às administrações de base e um aumento das liberdades civis.

O novo marco legal aborda a corrupção, o clientelismo político, a ocupação de terras e o tribalismo, que assolam o Quênia desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1963. O Quênia tem a quarta maior economia da África Subsaariana, atrás de África do Sul, Nigéria e Angola.

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