Referendo é nocivo à Bolívia, diz oposicionista

COCHABAMBA, Bolívia (Reuters) - O referendo revogatório sobre os mandatos do presidente Evo Morales e de oito governadores regionais da Bolívia vai polarizar o país e é inconstitucional, segundo um governador oposicionista que promete contestar o pleito se o resultado lhe for negativo.

Reuters |

Pesquisas dizem que Morales deve conseguir no domingo os votos suficientes para permanecer no poder, o que legitimaria suas reformas socialistas, que incluem reforma agrária e estatização parcial da economia.

Oito dos nove governadores também serão submetidos a referendo. A maioria deve permanecer no cargo, inclusive alguns direitistas que pleiteiam mais autonomia em relação a La Paz.

'Este evento é totalmente inconstitucional. Vou continuar sendo governador a despeito do resultado', disse à Reuters o governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, um dos dois ou três que as pesquisas apontam como ameaçados de perder o cargo.

Eleito em 2005, Reyes diz que só a convocação de uma eleição geral resolveria os problemas do país. '(Há) uma Bolívia democrática e uma (outra) Bolívia governada por uma ditadura sindical liderada pelo presidente Evo Morales com o seu sindicato dos cocaleiros', afirmou.

Cochabamba é o principal centro produtor de coca na Bolívia, e o Departamento está profundamente dividido entre seguidores de Reyes e de Morales, um indígena que saltou para a política a partir da atuação como sindicalista.

A folha da coca é a matéria-prima da cocaína, mas também é usada pelos indígenas quéchua e aimará para rituais e, mascada, para aplacar a fome e o desconforto da altitude.

Primeiro indígena a presidir a Bolívia, Morales tenta aprovar uma nova Constituição que dará mais poderes ao seu povo, após séculos de discriminação.

Com o referendo, ele espera enfraquecer os governadores que exigem mais autonomia e uma maior parcela dos impostos que vão a La Paz, especialmente sobre a extração de gás.

Nesta semana, duas pessoas morreram em manifestações sindicais, e Morales teve de suspender dois comícios e uma reunião com os colegas de Venezuela e Argentina devido a protestos contra o governo.

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