Referendo constitucional continua incerto por causa de falta de acordo

Soledad Álvarez. La Paz, 19 out (EFE).- O referendo sobre a nova Constituição da Bolívia continua incerto por causa de falta de acordo entre governistas e opositores, enquanto milhares de partidários do presidente Evo Morales se encontram às portas de La Paz para exigir do Congresso Nacional sua convocação.

EFE |

O Congresso boliviano viveu neste domingo uma agitada jornada de negociação política que não deu frutos e que está bloqueada pelas divergências em torno da reeleição presidencial estabelecido pelo projeto de Carta Magna governista.

Estas diferenças provocaram que a sessão prevista para debater a convocação constitucional se atrasasse por mais de nove horas.

Finalmente, a sessão começou, mas voltou a ser adiada por falta de quorum, perante a decisão da aliança conservadora Poder Democrático e Social (Podemos) de não entrar no plenário, até que se permitisse às televisões transmitir ao vivo o debate.

No final da jornada, a confusão e a incerteza sobre o reinício da sessão parlamentar eram as notas dominantes no Congresso.

Parlamentares do MAS asseguraram à Agência Efe que o debate será reinstalado nas próximas horas, mas deputados e senadores da oposição insistem em que não participarão até que se permita a transmissão televisiva.

Legisladores de Podemos chegaram a desafiar, em declarações aos meios de imprensa, o Governo e os congressistas a que todos, governistas e opositores, renunciem em bloco e sejam convocadas eleições gerais nas quais ninguém possa voltar a se apresentar como candidato.

A convocação do referendo constitucional tem que ser aprovada com pelo menos dois terços dos votos do Congresso, uma maioria da qual o governista Movimento ao Socialismo (MAS, o partido de Morales) não dispõe, o que o obriga a fazer acordos.

O Governo acusou hoje a oposição de impedir o consenso por causa de suas objeções à reeleição presidencial e sua rejeição a que se antecipem as eleições gerais, apesar de ter atendido a todas as suas reivindicações sobre a Carta Magna, entre elas, as de autonomia ou as relacionadas com a reforma agrária.

Mas a oposição argumenta que o verdadeiro objetivo do MAS com a nova Constituição é que Morales se perpetue no poder, convertendo-se em um presidente "vitalício".

A estratégia governista é convocar eleições gerais assim que a Constituição seja aprovada, mas a atual gestão de Morales (que começou em 2006) não contaria como primeiro mandato ao abrir-se um novo período constituinte.

Deste modo, Morales poderia se apresentar como candidato nas eleições gerais em 2009 e, em caso de ganhar, optar pela reeleição nas seguintes para uma nova gestão de cinco anos.

Enquanto o Congresso Nacional debate entre os adiamentos e os desencontros, a chamada "Marcha pela Refundação da Bolívia", na qual participam milhares de partidários de Morales, chegará amanhã ao centro de La Paz para exigir que seja definida a data de realização do referendo constitucional.

O protesto, organizado pela Coordenadora Nacional pela Mudança (Conalcam), que reúne os movimentos sociais e sindicais que apóiam Morales, partiu na segunda-feira passada da localidade de Caracollo, situada no departamento andino de Oruro, a cerca de 200 quilômetros de La Paz.

Os manifestantes anunciaram que permanecerão em La Paz, onde devido a esta concentração em massa amanhã não haverá aulas nas escolas.

Por outro lado, na cidade de Santa Cruz, reduto da oposição autonomista a Morales, foi organizada uma vigília "cívica" contra a aprovação do projeto constitucional do Governo. EFE sam-az/ma

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