Reféns das Farc pedem acordo humanitário e encorajam Betancourt

Bogotá, 22 jun (EFE).- O deputado Sigifredo López, através de um vídeo, deu um prazo ao Governo colombiano e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para conseguirem um acordo humanitário.

EFE |

Já Emilio Moncayo, cabo do Exército colombiano, através de outro vídeo, enviou uma mensagem de encorajamento à ex-candidata Ingrid Betancourt, seqüestrada pela guerrilha da mesma forma que eles.

Inicialmente, em um vídeo entregue pelas Farc a uma comissão da Igreja Católica e ao ex-defensor público de Cali Hernán Sandoval, o deputado Sigifredo López, seqüestrado desde 2002, pediu ao Governo e à guerrilha que consigam um acordo humanitário.

López pediu a todos os setores que apóiem as gestões da senadora Piedad Córdoba e do presidente venezuelano, Hugo Chávez, mediação à qual Bogotá pôs fim no último dia 21 de novembro.

Após conhecer a prova de vida do político, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, reiterou sua disposição para chegar a um acordo humanitário com as Farc, mas lembrou que os autorizados a realizarem contatos sobre o assunto são a Igreja Católica e os países delegados europeus (França, Espanha e Suíça).

É preferível, ressaltou López em sua mensagem, "a farândola política que inevitavelmente gerará qualquer encontro entre as Farc e o Governo ao novo derramamento de sangue que inevitavelmente gerará seu desencontro".

Defendeu que o encontro entre as partes é a última oportunidade que os seqüestrados têm de retornarem com vida às suas casas.

López é o único sobrevivente do grupo de 12 políticos que as Farc seqüestraram na cidade colombiana de Cali em 2002 - dos quais 11 morreram em cativeiro, no dia 28 de junho de 2007.

Uma pesquisa realizada pela comissão legista da Organização dos Estados Americanos (OEA) assinalou que os cadáveres apresentavam múltiplas marcas de tiro, mas não estabeleceu responsabilidades.

O Governo colombiano afirma que os deputados foram assassinados pelas Farc.

Na segunda prova de sobrevivência, que estava em poder dos parentes de Pablo Emilio Moncayo há dois meses, mas da qual pouco se tinha conhecimento, o militar pediu à ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt que não desista.

"Não se renda. Você tem muitas coisas pelas quais lutar, pelas quais viver", declarou Moncayo - seqüestrado em dezembro de 1997 em um ataque das Farc à base militar de comunicações da colina Patascoy, perto da fronteira com o Equador - a Betancourt.

"Envio à doutora Ingrid uma mensagem de força, convido-a a continuar, a se levantar, a se ajudar, pois só os que são amados podem dar amor. Só são fonte de paz os que estão em paz consigo mesmo".

No ano passado, o pai do militar realizou uma caminhada de mais de 800 quilômetros, do departamento de Nariño, fronteira com o Equador, até Bogotá, para pedir um acordo humanitário entre o Governo colombiano e as Farc.

As Farc e o Governo colombiano negociam há anos um acordo humanitário no qual rebeldes pretendem trocar 40 seqüestrados por cerca de 500 presos, incluindo três extraditados dos Estados Unidos.

Entre os passíveis de troca em poder das Farc estão a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três americanos.

Estas provas de vida foram conhecidas pouco depois de as Farc dizerem em comunicado que "esperam a decisão e a vontade política do atual Governo para serem trocados (os seqüestrados) por combatentes".

Da mesma forma, convidaram "soldados e policiais a se juntarem" ao grupo. EFE ocm/fh/fal

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