Refém há 12 anos, Pablo Moncayo é libertado pelas Farc

O oficial do Exército colombiano Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há mais de doze anos pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), foi resgatado nesta terça-feira por uma missão humanitária que contou com apoio do Brasil.

iG São Paulo |

Reuters
Pablo Moncayo é recebido pelo pai, Gustavo

Pablo Moncayo é recebido pelo pai, Gustavo

Moncayo, que estava em cativeiro desde 1997, quando tinha 19 anos, era o refém mais antigo das Farc juntamente com o soldado Libio José Martínez Estrada, que ainda permanece sequestrado.

O pai de Pablo, o professor Gustavo Moncayo, comemorou a notícia. "A emoção é muito grande, graças meu Deus. Bem-vindo à liberdade Pablo Emilio, vamos romper essas correntes e lutar pela liberdade dos demais companheiros (reféns)", disse ele, emocionado, ao mostrar as correntes que traz presas às mãos, símbolo de sua luta pela libertação do filho.

O mau tempo atrasou em mais de duas horas o início da operação de resgate, que esteve a ponto de ser adiada. A missão humanitária é composta pela senadora colombiana Piedad Córdoba, dois integrantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, um membro da Igreja Católica e seis militares brasileiros.

Caminhante pela paz

O sequestro de Pablo Emilio ganhou notoriedade principalmente por causa de seu pai, conhecido como " Caminhante pela Paz ". O professor realizou caminhadas dentro e fora da Colômbia com uma corrente presa ao corpo para exigir ações que resultassem na libertação do filho e em uma saída negociada para o conflito que dura mais de seis décadas.


Gustavo e Pablo comemoram libertação / Foto: EFE


O cabo Pablo Emilio Moncayo foi sequestrado em dezembro de 1997 - apenas 18 meses depois de ter ingressado no Exército - junto com outros 17 soldados, em um ataque da guerrilha a uma base de operações do Exército colombiano no Departamento de Nariño.

Dez militares morreram durante o enfrentamento com os rebeldes. Deste grupo de sequestrados, 16 militares já foram soltos.

No domingo, as Farc já haviam libertado o refém Josué Daniel Calvo . Com a libertação de Pablo Emilio Moncayo, chega ao fim o processo de libertações unilaterais e incondicionais por parte das Farc que vinham ocorrendo desde o ano passado, quando seis reféns foram soltos.

A partir de agora, as Farc pretendem retomar o diálogo para concretizar um controvertido acordo humanitário que colocaria em liberdade os 22 militares que ainda estão em poder dos rebeldes, em troca da libertação de centenas de guerrilheiros presos.

Nesta terça-feira, Gustavo Moncayo pediu a ajuda dos governos latino-americanos, em especial dos presidentes do Brasil, Venezuela, Equador e Argentina, para mediar as negociações a favor do acordo.

"Podemos formar uma equipe de trabalho para que se estabeleça diálogo entre governo e a guerrilha. Há uma necessidade de dizer não à violência, sequestros e violação aos direitos humanos, queremos a paz, é isso o que estamos pedindo", afirmou Moncayo.

Agenda eleitoral

Nos últimos dias, o possível acordo entre o governo e a guerrilha passou ser o centro da agenda político-eleitoral colombiana, a poucos meses das eleições presidenciais, previstas para maio.

Para a senadora Piedad Córdoba, a principal mediadora entre o governo e as Farc, o acordo humanitário deveria ocorrer antes do final do mandato do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Caso contrário, segundo a senadora afirmou na manhã desta terça-feira, um acordo "seria difícil" e poderia demorar "pelo menos outros dois ou três anos", durante a gestão de um novo governo.

"Temos que trabalhar governo, Farc e (o movimento) Colombianos pela Paz (que tenta mediar um acordo humanitário) para que o intercâmbio ocorra antes de 7 de agosto", escreveu a senadora no site Twitter.

Segundo a parlamentar, as Farc já têm uma proposta que deve ser entregue pelo movimento Colombianos pela Paz ao presidente colombiano.

Debates

No domingo, após a libertação do oficial Josué Daniel Calvo, Uribe disse estar disposto a negociar um acordo com a guerrilha, sob a condição de que os rebeldes soltos abandonem definitivamente a luta armada.

A negociação do acordo tem dividido a opinião dos candidatos que disputarão a Presidência em maio.

O debate entre os presidenciáveis gira em torno de aceitar o diálogo com a guerrilha, insistir no método de resgates militares forçados ou levar as Farc a darem continuidade às libertações incondicionais.

Com BBC

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