Por Herbert Villarraga FLORÊNCIA, Colômbia (Reuters) - Um soldado colombiano mantido refém pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há mais de 12 anos já está com uma missão humanitária enviada para uma área de floresta no sul da Colômbia para recebê-lo.

A missão humanitária liderada pela senadora do Partido Liberal Piedad Córdoba chegou ao local combinado em um dos helicópteros cedidos pelo Brasil para receber o último dos dois reféns que as Farc prometeram libertar.

A emissora Telesur, com base em Caracas, mostrou imagens de Moncayo sorridente caminhando ao lado de Piedad e rodeado por guerrilheiros, aparentemente livre.

Mas um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) não confirmou sua libertação e disse que somente o faria quando fossem cumpridos os protocolos combinados.

A missão humanitária formada por integrantes do CICV e da Igreja Católica saiu do aeroporto de Florência, capital do Departamento de Caquetá, 370 quilômetros ao sul de Bogotá, com três horas de atraso devido às más condições climáticas.

Horas depois, a Cruz Vermelha anunciou que a missão havia chegado ao ponto combinado para a libertação de Moncayo, enquanto a Telesur transmitia um vídeo no qual se via o refém caminhando horas antes de sua entrega.

"Faltam poucas horas para eu encontrar minha família. Não imagino qual será a alegria deles ao me ver depois de tantos anos, não posso imaginar", afirmou o militar, que vestia um uniforme camuflado, enquanto caminhava em círculo e observava seu relógio.

O governo colombiano protestou contra a presença de jornalistas da Telesur durante a libertação do refém e exigiu explicações.

"O governo nacional rejeita que qualquer meio de comunicação, como a Telesur, se preste a fazer propaganda de um grupo terrorista e sequestrador como as Farc. Esse meio de comunicação deve explicar ao país porque estava num ponto do território colombiano em companhia dos guerrilheiros das Farc", disse o alto comissário para a paz do governo colombiano, Frank Pearl.

SEGUNDA LIBERTAÇÃO

A entrega de Moncayo aconteceu depois que a guerrilha, considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia, libertaram no domingo o soldado Josué Daniel Calvo, sequestrado havia mais de 11 meses.

As Forças Armadas colombianas suspenderam por 36 horas, desde as 18h de segunda-feira (horário local), suas operações militares, incluindo os sobrevoos, para facilitar a libertação de Moncayo, um dos reféns mais antigos no conflito interno colombiano.

O militar viajará a bordo do helicoptero brasileiro até Florência, onde irá se encontrar com seus familiares antes de ser levador a um hospital em Bogotá.

A guerrilha anunciou que não vai entregar os restos mortais do policial Julián Ernesto Guevera, que morreu em cativeiro, argumentando que há intensas operações militares no local onde foi sepultado. Essa versão não é aceita pelo governo.

Após a libertação de Moncayo, que as Farc classificam como um ato unilateral de paz, seguirão em poder dos guerrilheiros 22 membros do Exército e da polícia que os rebeldes querem trocar por centenas de guerrilheiros presos pelo governo por meio de um acordo humanitário.

Para o governo colombiano, as entregas unilaterais e graduais são uma estratégia da guerrilha para tentar ganhar protagonismo político antes das eleições presidenciais e para tentar limpar a imagem da guerrilha vinculada ao crime organizado.

As Farc anunciaram em abril do ano passado a entrega dos reféns, mas a soltura não ocorreu como planejado pelas exigências do presidente Álvaro Uribe e da guerrilha.

Inicialmente, Uribe exigiu que as Farc libertassem de forma simultânea todos os militares, mas depois aceitou a liberação gradual e autorizou a senadora Córdoba, a Igreja e a Cruz Vermelha a formar uma missão humanitaráia.

O Brasil, que no começo de 2009 participou da entrega de outros seis reféns, aceitou de novo atuar como facilitador com os helicópteros e as tripulações para receber os dois militares, depois que a guerrilha aceitou as garantias de segurança apresentadas pelo governo.

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta em Bogotá)

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