Peter Moore, um consultor britânico sequestrado com seus quatro guarda-costas em 2007 no Iraque, foi libertado nesta quarta-feira, informou o chanceler do Reino Unido, David Miliband; mas um anúncio simultâneo falava de uma transferência de prisioneiros iraquianos, dando a entender que houve uma troca.

"Peter foi libertado por seus captores pela manhã em Bagdá, e entregue às autoridades iraquianas. Ele está neste momento na embaixada britânica na cidade", declarou Miliband em entrevista coletiva.

Moore, 36 anos, viveu "dois anos e meio de sofrimento indescritível, medo e incertezas", afirmou o ministro, destacando que o agora ex-refém está bem.

"É como se tivesse se dissipado uma nuvem negra que pesava sobre mim", comentou a mãe de Peter, Avril Sweeney.

Peter Moore e seus guarda-costas, também britânicos, tinham sido sequestrados em 29 de maio de 2007 no ministério das Finanças em Bagdá por 40 homens vestidos com uniformes da polícia. A operação havia sido reivindicada pela Liga dos Virtuosos, uma organização radical xiita.

Os corpos de três guarda-costas, Jason Creswell, 39 anos, e Jason Swindlehurst, 38 anos, já tinham sido entregues às autoridades britânicas em junho e os restos de Alec MacLachlan, em setembro. Acredita-se que um quarto guarda-costa, Alan McMenemy, também esteja morto.

O primeiro-ministro, Gordon Brown, declarou-se "imensamente aliviado" com a notícia de libertação de Moore.

"Porém, não podemos nos esquecer das famílias dos reféns mortos no Iraque e em outras partes do mundo", ponderou.

Brown pediu que o corpo de McMenemy também seja entregue ao Reino Unido.

A libertação de Peter Moore foi confirmada nesta quarta-feira por Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano.

"O Iraque sempre apoiou os esforços para libertar os reféns. Este desdobramento se inscreve no contexto dos esforços do governo iraquiano em prol de uma reconciliação nacional", observou.

Miliband também elogiou a evolução positiva da situação no Iraque.

"O governo iraquiano vem instaurando há vários meses um processo de reconciliação nacional com os grupos armados dispostos a abrir mão da violência. Foi este processo que permitiu a libertação de Peter Moore", afirmou.

A Liga dos Virtuosos anunciara em março deste ano estar disposta a soltar seus reféns em troca da libertação de dez de seus líderes detidos pelas forças americanas.

O porta-voz iraquiano precisou agora à noite que "o governo de Bagdá havia começado a receber prisioneiros das forças americanas", no que parece um acordo de troca realizado para a libertação de Peter Moore.

Um integrante do grupo de captores da Liga dos Virtuosos, afirmou à AFP que até 400 prisioneiros poderiam estar incluídos, entre eles o chefe do grupo Qaïs al-Khazali, que está no centro de detenção americano Cropper perto do aeroporto de Bagdá.

Esta organização xiita é constituída de militantes que pertenceram ao Exército de Mahdi, o antigo braço armado do movimento do líder xiita radical Moqtada Sadr.

Peter Moore trabalhava para a empresa americana de administração BearingPoint responsável por contratos terceirizados de pessoal com o governo americano, para relançar a economia iraquiana. Os guarda-costas eram empregados da empresa de segurança canadense Garda World.

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