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Reeleição mostra força de Correa e de sua revolução cidadã no Equador

Susana Madera. Quito, 18 dez (EFE).- Em 2009, o presidente do Equador, Rafael Correa, conquistou sua reeleição já no primeiro turno, um triunfo histórico com o qual reafirmou que seu plano de revolução cidadã será intensificado e que não será freado por nada nem ninguém.

EFE |

Com pouco mais de dois anos no poder e com uma popularidade estimada em 56% em abril, quando aconteceram as eleições, Correa conquistou o direito de governar por um segundo mandato com 51,99% dos votos.

A popularidade de Correa, estendida também a seu movimento político Aliança País, foi refletida ainda nas eleições legislativas, onde sua legenda conquistou 59 das 124 cadeiras da Assembleia Nacional, um número alto que, no entanto, não se aproximou das expectativas governistas.

Com o triunfo no bolso, Correa assegurou que "nada nem ninguém" deteria o "furacão de soberania e dignidade" que representa sua "revolução cidadã", um processo "pacífico" para, segundo ele, construir uma sociedade "de inclusão, solidária e equitativa".

Da mesma forma que no início de seu primeiro mandato, em janeiro de 2007, Correa reiterou este ano que lutará contra o neoliberalismo e pediu unidade ao povo para respaldar as mudanças e enfrentar os que se sentem atingidos pelas mudanças, entre eles alguns meios de comunicação.

Apesar das críticas da oposição por sua forma de se expressar, Correa manteve este ano um duro discurso contra seus detratores e firmeza em suas decisões sobre o respeito à soberania.

Após a violação territorial de 2008, quando militares colombianos atravessaram a fronteira em uma operação contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a tensão entre Quito e Bogotá explodiu, e esse quadro só começou a diminuir recentemente.

Os chanceleres do Equador, Fánder Falconí, e da Colômbia, Jaime Bermúdez, fixaram em setembro, em Nova York, um plano para o processo de restabelecimento de relações diplomáticas que, com altos e baixos, levou os dois países à designação de encarregados de negócios.

O Equador centra sua política internacional em torno da defesa da soberania, com o envolvimento não só no caso da Colômbia, mas em sua decisão de pôr fim, este ano, ao acordo com os Estados Unidos para o uso da base de Manta em operações antinarcóticos regionais, após dez anos de colaboração.

A "revolução" de Correa também se manteve no plano comercial, âmbito no qual o Equador rejeita um tratado de livre-comércio com os EUA e apresenta um acordo de comércio para o desenvolvimento que tenha como pilares o comércio, diálogo político e cooperação.

Correa, um economista de 46 anos acusado pela oposição de ser prepotente e autoritário, decidiu este ano pela entrada do Equador na Aliança Bolivariana das Américas (Alba), criada por iniciativa do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

A importância da integração regional também ficou evidenciada quando o Equador assumiu este ano a Presidência temporária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), com a insistência na necessidade de criar uma organização de estados latino-americanos, à margem dos Estados Unidos.

Na política interna, o país se viu afetado por um escândalo em torno do irmão mais velho de Correa, Fabricio, por uma série de contratos com o Estado, de aproximadamente US$ 80, agora em processo de anulação.

No plano econômico, seu maior triunfo de 2009 está na renegociação dos bônus global 2012 e 2030, pois Correa assegurou que a operação pela qual retirou do mercado 91% desses papéis foi um fato "histórico" que superou suas próprias expectativas.

Além disso, Correa, que desde que iniciou seu primeiro período no Governo manteve um permanente e duro confronto com vários meios de comunicação de seu país, propôs a adoção de medidas de controle para frear os "excessos" da imprensa.

Nesse sentido, uma dura polêmica surgiu diante do temor de que a Assembleia pretenda influir na liberdade de expressão por meio de uma lei de comunicação que estuda e que gerou mais críticas da oposição, que não consegue se unir para enfrentar Correa, que deverá governar até 2013. EFE sm/mh

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