Reeleição de Morales fecha ano que Bolívia começou com nova Constituição

Soledad Álvarez. La Paz, 17 dez (EFE).- A vitória do presidente boliviano, Evo Morales, em sua primeira reeleição fechou um ano no qual Bolívia estreou uma Constituição com a qual o líder indígena e de esquerda pretende construir um novo Estado.

EFE |

No dia 6 de dezembro, Morales obteve uma vitória eleitoral de 64% que permitirá que seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), controle sem dificuldade a futura Assembleia Legislativa.

O primeiro presidente indígena da Bolívia poderá seguir, assim, com sua "revolução democrática e cultural" e aplicar a nova Constituição do país, apoiada por 61,4% dos bolivianos em um inédito referendo em 25 de janeiro.

Depois de aprovada a Carta Magna, o país viveu em abril uma nova crise política no Congresso, onde Governo e oposição se enfrentaram por causa da Lei Eleitoral.

Morales fez greve de fome durante seis dias para exigir a aprovação da norma, o que aconteceu em 14 de abril, com o compromisso do Governo de elaborar, como exigia a oposição, um novo censo de eleitores.

Dois dias depois do fim da "crise eleitoral", a Bolívia se viu envolvida em um polêmico caso de "terrorismo internacional" que foi tornado público quando a Polícia abateu a tiros em Santa Cruz, no leste do país, três supostos mercenários estrangeiros e deteve outros dois.

Segundo o Governo, esse grupo tinha objetivos de secessão de Santa Cruz - reduto da oposição autonomista - e inclusive preparava um atentado contra Morales. A Promotoria boliviana continua com a investigação de um caso que a oposição tacha de "montagem".

Neste ano, a política externa da Bolívia voltou a estar marcada pela distância com os Estados Unidos, apesar do novo Governo do presidente americano, Barack Obama, e do início de conversas para formar outro marco bilateral.

As boas intenções expressadas em maio durante a visita do então responsável de Washington para a América Latina, Thomas Shannon, ficaram diluídas, especialmente após as advertências da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre as relações entre Bolívia e Irã.

Além disso, os Governos de La Paz e Teerã reafirmaram sua aliança em novembro, durante a visita que o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad fez à Bolívia dentro de sua viagem pela América do Sul.

Outra constante foi o confronto com o Governo peruano do presidente Alan García, que voltou a chamar a consultas seu embaixador em La Paz, que não gostou da qualificação de "genocídio" que Morales fez ao conflito de Bagua, onde 24 policiais morreram, além de nove indígenas.

Também este ano o presidente boliviano aprofundou seu envolvimento com a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) que, em outubro, realizou em Cochabamba uma cúpula para garantir sua integração econômica e sua "luta contra o império".

Nesse âmbito, o presidente boliviano se destacou como um dos principais opositores ao acordo entre EUA e Colômbia para o uso por soldados americanos de bases militares em território colombiano.

Durante 2009, Morales fez visitas oficiais à Rússia em fevereiro e à Espanha em setembro.

Em Moscou, o presidente boliviano assinou acordos de cooperação no âmbito técnico-militar e de luta contra o narcotráfico. Em Madri, concretizou o perdão da dívida boliviana e alcançou um acordo com a Repsol YPF para que um consórcio de empresas invista US$ 1,5 bilhão para aumentar a produção de gás boliviano.

A Bolívia também lembrará 2009 por ser o ano em que o mundo conheceu seu potencial em lítio. Segundo o Governo, as maiores reservas mundiais deste metal estão no Salar de Uyuni, que tem uma superfície de 10 mil quilômetros quadrados. EFE sam/pd/mh

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