Reeleição de Ahmadinejad provoca protestos em Teerã

O ultraconservador Mahmud Ahmadinejad foi reeleito presidente do Irã, em uma votação marcada por denúncias de fraude e distúrbios em Teerã, onde milhares de jovens enfrentaram a polícia após a divulgação do resultado oficial.

AFP |

Ahmadinejad qualificou neste sábado sua reeleição de "grande vitória", e garantiu que a votação foi "totalmente livre", apesar dos protestos de milhares de seguidores do ex-premier Mir Hossein Mussavi, seu principal adversário nas urnas.

Os confrontos entre jovens e a polícia de choque sacudiam vários bairros de Teerã e a zona do ministério do Interior, em distúrbios inéditos na capital iraniana desde a revolta estudantil de julho de 1999.

Dezenas de pessoas foram detidas, algemadas e levadas ao ministério do Interior, constatou a AFP.

Mussavi, um ex-premier conservador moderado, denunciou "claras e numerosas irregularidades", que colocam o Irã diante de um "panorama perigoso", mas pediu à população que mantenha a calma e evite a violência.

"As irregularidades na eleição presidencial foram muito graves e vocês têm razão de se sentir prejudicados, mas peço a todos que não agridam qualquer indivíduo ou grupo e que não percam o sangue-frio, evitando toda ação violenta", disse Mussavi.

A associação do ex-presidente reformista iraniano Mohamed Khatami defendeu a anulação das eleições e se declarou preocupada com uma "manipulação em massa dos votos".

Segundo a entidade, "a anulação das eleições e uma repetição da votação, em uma atmosfera mais igualitária, constitui a melhor maneira de se recobrar a confiança pública e a reconciliação nacional".

Já o líder supremo e número um do regime islâmico, o aiatolá Ali Khamenei, que apoiava Ahmadinejad de forma indireta, disse que a reeleição é "uma verdadeira festa" e classificou a votação de "grande sucesso".

Ahmadinejad, de 52 anos, obteve 62,63% dos 39.165.191 votos, contra 33,75% para de Mussavi. O conservador Mohsen Rezai ficou com 1,73%; e o reformador Mehdi Karubi, 0,85%.

As eleições registraram a participação recorde de 85% dos eleitores e segundo o ministério do Interior, não houve irregularidades.

Mussavi garante que ocorreram "claras e numerosas irregularidades", e que é seu "dever religioso e nacional revelar os segredos deste processo perigoso e explicar suas consequências destruidoras para o destino do país".

A polícia havia proibido qualquer reunião de partidários de um candidato após o final da votação, mas milhares de eleitores de Mussavi se concentraram no centro de Teerã para protestar contra o governo.

"Abaixo o ditador!", "Abaixo o golpista!", gritavam os inconformados manifestantes, reunidos na praça Vanak.

A principal rede de telefonia móvel do Irã, controlada pelo Estado, suspendeu seu sinal em Teerã a partir da noite de sábado, e os telefones celulares deixaram de funcionar.

O serviço de mensagens de texto (SMS), utilizado pela oposição para convocar os partidários de Mussavi, já estava fora de operação desde a manhã de sexta-feira, dia das eleições.

A reeleição de Ahmadinejad levará a "um aumento da repressão contra os opositores" e ao "aumento dos esforços para a produção da bomba atômica", denunciou o Conselho Nacional de Resistência Iraniano (CNRI, oposição).

O principal movimento de oposição iraniano também acusou o poder de ter inflado o índice de participação "em quatro ou cinco vezes" e frisou que "mais de 85% dos iranianos boicotaram o espetáculo eleitoral dos mulás (líderes religiosos islâmicos)".

O assessor de imprensa de Ahmadinejad, Ali Akbar Khavanfekr, afirmou que a reeleição reforça a posição do chefe de Estado, o que permitirá a ele lutar de maneira séria e imediata contra a corrupção nas instituições.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, manifestou sua esperança de que o resultado das eleições reflita a vontade genuína e o desejo do povo iraniano".

A Casa Branca ressaltou que acompanhava de perto a evolução da situação no Irã, e que examinava em particular as denúncias de irregularidades nas eleições.

O vice-chanceler israelense, Danny Ayalon, disse que "se ainda havia esperanças de uma mudança no Irã, a reeleição de Ahmadinejad mostra que a ameaça iraniana é muito mais grave".

A presidência tcheca da União Européia manifestou sua "preocupação com as supostas irregularidades durante o processo eleitoral e com a violência que explodiu imediatamente após a publicação dos resultados oficiais".

O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, revelou que seu país "acompanha o resultado anunciado pela Comissão Eleitoral (...) e as queixas sobre a apuração dos votos", e a chancelaria francesa destacou que "toma nota" da reeleição de Ahmadinejad e também dos "questionamentos" sobre os resultados.

fpn/dm/LR

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