O ministro britânico de Energia e Clima, Ed Miliband, disse durante visita à Amazônia brasileira que reduzir os níveis de desmatamento é absolutamente crítico para o sucesso da conferência sobre clima da ONU, que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, no final do ano.

Miliband disse que um acordo na conferência de Copenhague sem menção ao desmatamento seria tão significante quanto o Protocolo de Kyoto sem a adesão dos Estados Unidos.

O ministro britânico visitou o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, que é protegido desde 1961 por lei. No entanto, a comunidade indígena do parque disse ao ministro que muitas pessoas estão começando a invadir a área, e que isto poderia mudar o estilo de vida local.

Grande parte da floresta ao redor do Parque do Xingu foi desmatada, e muitos madeireiros ilegais já operam dentro da área de preservação.

Responsabilidade dos ricos

Líderes das tribos locais temem o impacto de projetos hidrelétricos anunciados pelo governo brasileiro e afirmam que as mudanças no clima estão tendo impacto negativo no seu ambiente. Miliband disse que os indígenas levantaram questões importantes.

"O desmatamento da floresta é responsável por cerca de um quinto das emissões de carbono do mundo, mais do que todo o setor de transportes - carros, aviões, tudo - no mundo", disse Miliband. "Então é absolutamente crítico que nós cheguemos a um acordo em Copenhague que envolva a redução destes índices de desmatamento."

"Mas nós temos que fazer isso de um jeito que ajude as pessoas na floresta, com as quais eu me encontrei, para que elas também tenham interesse em participar deste processo."

O ministro britânico disse aceitar que os países desenvolvidos, como a Grã-Bretanha, que emitiram mais gases nocivos ao longo dos últimos 150 anos, têm responsabilidade de fazer mais pelo ambiente do que países mais pobres que ainda estão se desenvolvendo.

Miliband disse ter esperança de que os países cheguem a um acordo em Copenhague, em dezembro. A reunião deve discutir o chamado Tratado pós-Kyoto.

O Tratado de Kyoto, firmado em 1997 e que vence em 2012, estabelecia metas para corte de emissões entre os países desenvolvidos, mas poupava os países em desenvolvimento, o que reduzia sua eficácia. Além disso, com a retirada dos Estados Unidos, maior emissor histórico de poluentes, seu alcance ficou limitado.

Com o novo tratado, a comunidade internacional espera conseguir um comprometimento de todos os países para limitar as emissões.

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