O colapso dos meios de comunicação tradicionais no Haiti mostrou mais uma vez a importância que as chamadas redes sociais e a internet podem desempenhar em grandes desastres.

O Twitter está sendo usado como um dos principais meios de comunicação, enquanto sites como Ushahidi fornece mapas detalhando danos e ajuda humanitária.

Tanto o Google quanto o site Facebook estão elaborando listas de desaparecidos.

Redes de satélites também estão separando canais para fornecer telecomunicações a agências humanitárias e militares envolvidos no socorro do Haiti.

As primeiras imagens de vídeo e fotos que chegaram da região depois do terremoto foram capturadas por celulares. Por outro lado, linhas de telefonia fixa caíram e celulares funcionam de forma intermitente.

Centro de telecomunicações

A agência das Nações Unidas Telecomunicações Sem Fronteiras, que mantém uma rede mundial de técnicos do setor e de equipamentos de comunicação móveis, enviou duas equipes para a região. O Programa Mundial de Alimentação também tem um serviço parecido.

"Quando chegamos a um país, criamos um centro de telecomunicações para a ajuda humanitária para que eles tenham acesso a internet e telefone", disse a representante da Telecomunicações Sem Fronteira Catherine Sang.

"Nós também temos uma operação humanitária de telefonemas para a população, para que possam ligar para a família e amigos no país e no exterior."

A Inmarsat, uma operadora internacional de satélites, acatou o pedido de ajuda da ONU e liberou parte do tempo de seus satélites para a região do desastre.

Para os grupos que têm equipamentos que funcionam por satélite, como agências humanitárias e forças militares, reforços como este são essenciais, já que os canais tradicionais não dão conta do tráfego.

Serviço comunitário

No entanto, para as pessoas comuns, a forma mais fácil de se comunicar estão abertas na internet. Segundos depois do tremor, começaram a pipocar no site mensagens sobre o Haiti.

Desde então, a empresa criou o canal "#relativesinhaiti" que foi inundado de mensagens de parentes no exterior tentando descobrir informações sobre desaparecidos no Haiti, enquanto o canal "#rescumehaiti" está sendo usado pelos que participam diretamente das operações de resgate.

Cruz Vermelha, CNN e o jornal The New York Times estão compilando listas de desaparecidos. O grupo do Facebook "Earthquake Haiti" já conta com mais de 160 mil integrantes.

O jornalista Pierre Cote mora no Haiti e foi procurado por diversos meios de comunicação desde o terremoto. Atualmente, ele está transmitindo os próprios programas pela internet.

Ele foi entrevistado pela BBC via Skype, um programa que realiza ligações de voz e vídeo pela internet, e comentou o papel que está desempenhando.

"Se eu não fizer isso, ninguém o fará - a imprensa tradicional não o fará", disse Cote. "A comunidade precisa disso, por isso, é o meu serviço para a comunidade reunir todas as informações."

Outra ferramenta virtual que está se tornando vital para o socorro pós-desastre é o Ushahidi. O serviço, de código aberto, permite que se sobreponham mapas com informações obtidas de diversas fontes.

Mapas virtuais

O Ushahidi ganhou certa fama depois das eleições de 2007 no Quênia. Com ele, é possível determinar que regiões mais precisam de ajuda humanitária, quais áreas não têm acesso a água, ou no caso específico do Haiti - que locais foram abalados por tremores secundários.

No entanto, as experiências mais recentes do Ushahidi revelaram também o perigo de se confiar em dados que circulam livremente pela internet.

Entre as imagens usadas pouco depois do desastre no Haiti estava uma foto que supostamente era de uma ponte haitiana, mas na realidade, chegou-se à conclusão de que ela tinha sido tirada no Japão, após um terremoto de 2006.

Em dezembro, as fundações Vodafone e Nações Unidas publicaram um relatório em que era destacado o risco da desinformação que circula na internet.

Agora, os criadores doUshahidi trabalham em um sistema de verificação para garantir de forma independente que os dados têm procedência confiável.

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