Rede transforma lojas abandonadas em hotel de luxo na Itália

Uma rede de hotéis descobriu uma maneira criativa de crescer em meio à crise econômica na Itália: transformando lojas abandonadas no centro de Milão em quartos de luxo.

BBC Brasil |

O hotel fica no andar térreo de um prédio construído nos anos 1930 perto do centro da cidade e ocupa as quatro lojas que, juntas, formavam as instalações de um antigo escritório de administração financeira.

Agora, no lugar de mesas e escrivaninhas, estão uma cama, a cozinha, uma bancada, o armário e um banheiro.


Hotel tem decoração de luxo / Divulgação

Segundos dados da prefeitura, a cidade de Milão perdeu cerca de 500 lojas no ano passado. As vitrines fechadas são um sinal claro dos tempos difíceis.

De acordo com a União do Comércio de Milão, 15 joalherias, 18 padarias, 80 lojas de roupas e 47 papelarias fecharam as portas no ano passado.

A Região da Lombardia deve injetar no mercado cerca de 200 milhões de euros para ajudar as pequenas e médias empresas em dificuldades.

Parte deste incentivo poderá ser usado para retomar as atividades suspensas ou mudar de ramo.

A conversão destes espaços em quartos de luxo pode ser uma resposta criativa para o momento, segundo as autoridades municipais.

"Novos espaços urbanos testemunham a identidade de uma cidade. Neste caso estamos apostando na inovação e na experimentação", declarou o secretário de Turismo, Massimiliano Orsatti.

O Town@House Street, como é chamado o novo hotel, fica numa zona nobre da cidade, no bairro de Città Studi.

A inauguração está prevista para o dia 14 de abril, data da abertura do Salão Internacional do Móvel, quando cerca de 300 mil pessoas de várias partes do mundo chegam para ver as novidades do mundo do design. E muitas são obrigadas a se alojar fora da cidade por falta de quartos na rede hoteleira.

As quatro suítes de luxo possuem dimensões que vão de 35 a 50 metros quadrados. As diárias vão de 100 a 300 euros, dependendo da temporada.


Quartos foram construídos em lojas abandonadas / Divulgação

O cliente entra no quarto sem passar por nenhuma recepeção. "Pensamos a calçada como se fosse o corredor. Criamos uma osmose entre a metrópole e o ambiente interno, revolucionando o conceito de hospitalidade", afirma o arquiteto responsável pelo projeto, Simone Miccheli.

No momento da reserva on line, o hóspede recebe um código de acesso para ser digitado na porta da rua. Com a senha nas mãos, a própria pessoa controla a entrada e a saída, sem precisar falar com ninguém. O sistema é semelhante àquele já usado pelo modelo bed&breakfast. A diferença é que o cliente se transforma no "dono" da casa e hóspede, ao mesmo tempo.

De todos os ângulos do interior do apartamento é possível ver a esquina de "casa". Vidros reforçados garantem a segurança contra vandalismo, servem ainda como barreira sonora. Eles permitem a entrada da luz natural mas impedem a visão de fora para dentro.

Os móveis foram construídos sob medida e criados para o projeto. As paredes são cobertas de fotografias gigantes de lugares símbolos da cidade. Em uma delas, está a foto do ponto de vista de um hóspede na janela do único hotel sete estrelas da cidade, debruçado sobre a galeria Vittorio Emanuele, distante 15 minutos de ônibus do hotel da calçada.

"Quando se viaja sozinho e você vai para um quarto no décimo-sexto andar de um hotel, a sensação de isolamento é inevitável. Agora o hospéde pode entrar em contato direto com os habitantes, com a paisagem, como estar na mesa de um bar, observar as luzes da cidade, os pedestres e motoristas. Oferecemos uma casa com as vantagens de um hotel, com os serviços de hotel num espaço próprio", diz o idealizador do projeto, Alessandro Rosso.

Após a iniciativa pioneira em Milão, os criadores do projeto pretendem aplicar o conceito ainda neste ano em Roma, Florença, Verona e Turim.

As cidades de Nova York, Lisboa, Londres, Paris e Viena também estão na fila de espera para transformar lojas fechadas em quartos de hotel de luxo, com vista para a rua.

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