Rede Haqqani nega ter assassinado ex-presidente afegão

Líder diz que grupo não está por trás da morte de Rabbani e que não tem contatos com a agência de inteligência paquisanesa

iG São Paulo |

AFP
O ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, em foto de janeiro de 2011
Um líder da rede militante Haqqani negou à BBC que seu grupo tenha sido responsável pela morte do ex-presidente afegão e mediador para as negociações de paz  Burhanuddin Rabbani, que foi assassinado em 20 de setembro em um atentado suicida em Cabul .

Autoridades do Afeganistão afirmaram que o ataque havia sido planejado por um paquistanês em Quetta. O ministro do Interior afegão disse também que a agência de inteligência do país (ISI) estava por trás do atentado - alegação essa também negada por Siraj Haqqani.

Siraj Haqqani é filho de Jalaluddin Haqqani, que fundou a rede, e tem papel fundamental nos planos arquitetados pelo grupo. O Haqqani tem sido responsabilizado por diversos atentados em Cabul.

"Nós não matamos Burhanuddin Rabbani e isso tem sido dito diversas vezes pelo porta-voz do Emirado Islâmico do Afeganistão", afirmou Siraj à BBC. Emirado Islâmico do Afeganistão é o nome que o Taleban deu ao país quando tomou seu controle em 1996.

O Supremo Conselho do Taleban, controlado por mulá Omar, preferiu não tecer comentários sobre a morte de Rabbani. Além das autoridades afegãs, os EUA também acusam o corpo de inteligência paquistanês de estar envolvida com a rede Haqqani . Sarij afirmou que o "Emirado Islâmico" estava por trás do " ataque à embaixada americana , à base da Otan e outros atentados" em Cabil, os quais ele disse terem sido perpetrados por decisão de um "conselho militar" e não por inciativas individuais.

Em se tratando da agência de inteligência paquistanesa, Sarij disse que durante a ocupação soviética nos anos 1980, combatentes mujahedin "tinham contatos com a agência de inteligência do Paquistão e outros países, mas depois da invasão americana eles nunca mais tiveram ligação com agências de outros países, o que seria importante para nós".

Ele disse também que o Haqqani "está em contato e é contatado por agências de inteligência de muitos países islâmicos e não-islâmicos, inclusive os EUA, que nos pedem que deixemos de lado a jihad sagrada e tomemos uma posição importante no governo atual".

Para Sarij, a acusação de ligações entre o Haqqani e a ISI são uma tentativa de "esconder a sua própria falha e confundir a cabeça das pessoas". A BBC enviou as perguntas por escrito a Sirajuddin Haqqani, que respondeu em uma mensagem de áudio gravada, informa o site da emissora britânica.

O presidente afegão, Hamid Karzai, anunciou nesta segunda-feira que convocará uma "jirga", assembleia tradicional, para decidir sobre uma nova estratégia de negociação de paz com o Taleban. Os esforços para tentar levar insurgentes islamitas à mesa de negociações foram suspensos por Karzai após o assassinato de Rabbani.

"Em uma Loya Jirga (grande assembleia) que deve ocorrer em breve, consultaremos os representantes do Afeganistão (sobre a situação) e agiremos de acordo com seus desejos", declarou o chefe de Estado em um discurso transmitido pela televisão. No domingo, seu porta-voz havia anunciado que Karzai revisaria sua estratégia de negociação com o Taleban.

O premiê paquistanês, Yosuf Raza Gillani, ofereceu negociar com grupos insurgentes locais, incluindo a rede Haqqani, segundo informou nesta segunda-feira o jornal Express Tribune. "Se as negociações não funcionarem, o governo irá lançar uma operação militar nas áreas tribais", disse Gilani durante uma reunião no domingo com diretores do jornal asiático.

O líder não se referiu especificamente à região do Waziristão do Norte, onde supostamente fica ou reduto da rede Haqqani, mas ao todo o cinto tribal na fronteira com o Afeganistão, onde existem inúmeras facções do Taleban e grupos jihadistas.

Gillani acrescentou que a estratégia para a intervenção armada será similar à adotada em 2009 contra o Taleban do vale de Swat, ao norte, onde previamente foi costurado um acordo com os insurgentes que depois foi quebrado e rebatido com uma operação militar.

Nos últimos anos, os EUA pressionaram sem sucesso o Paquistão para que atue no Waziristão do Norte contra a rede Haqqani.

As acusações causaram grande impacto no Paquistão, onde na semana passada ocorreu uma conferência multipartidária, convocada pelo governo, respaldada pelas Forças Armadas. Desde a entrada no poder em 2008, o Executivo de Gillani, um aliado de Washington, ordenou o Exército a lançar ofensivas a todos os distritos que formam o conflituoso cinto tribal, mas ainda não no Waziristão do Norte.

Com AFP e EFE

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