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Rede de imigração explorava miséria de brasileiros na França, diz polícia

A polícia da França está mobilizada em um esforço para identificar os líderes de uma rede de imigração ilegal que exploravam a miséria humana de brasileiros, disse à BBC Brasil uma fonte policial ligada ao caso. Nesta quarta-feira, a polícia começou a libertar alguns detidos na véspera em uma vasta operação contra a rede.

BBC Brasil |

Oitenta e duas pessoas, a maioria brasileiros de Estados do nordeste, foram presas.

Os "cabeças" da rede são suspeitos de não pagar aos imigrantes os salários combinados, de alugar a eles apartamentos insalubres e superlotados - como um local com 60 m² ocupado por 21 pessoas e repleto de baratas em Bagnolet, subúrbio ao leste de Paris - e de cobrar até 100 euros (cerca de R$ 254) por cinco duchas semanais em horários precisos, segundo a polícia militar francesa.

"Sabemos que estes trabalhadores brasileiros são pessoas honestas e esforçadas e que estão na França apenas para buscar uma vida melhor. Queremos levar à Justiça os que tiraram proveito financeiro da miséria humana", disse a autoridade policial.

Na delegacia de Meaux (a cerca de 40 km ao leste de Paris), onde se situa o comando das operações, cerca de 20 brasileiros ainda continuavam detidos na quarta-feira, mas alguns deles foram libertados no final da tarde.

"Algumas pessoas continuam detidas não em razão de suspeitas de que elas façam parte da rede, mas sim porque elas podem fornecer informações sobre os organizadores", disse a fonte.

Bandeira

Em uma sala da delegacia, à qual a reportagem da BBC Brasil teve acesso, uma enorme bandeira do Brasil demonstra a importância que a polícia francesa está dando ao desmantelamento da rede que ajudava brasileiros a se instalarem ilegalmente no país, fornecendo moradia e documentos falsos.

Dezenas de policiais trabalham vasculhando pilhas de papéis para levantar provas contra os responsáveis pela rede, que seriam pouco mais de uma dezena de pessoas. "São brasileiros explorados por outros brasileiros", disse a fonte policial.

Além dos brasileiros, que trabalham principalmente na construção civil, foram também presos alguns portugueses ou franceses de origem portuguesa que empregavam essas pessoas ou forneciam moradias e documentos falsos, também foram detidos.

Alguns dos brasileiros ilegais receberam ordens de expulsão (que, na prática, podem não ser cumpridas, como atesta a fonte policial, já que não há uma real fiscalização) e outros foram enviados a centros de detenção específicos para clandestinos.

As investigações sobre a rede começaram há cinco meses.

No Brasil

Segundo a autoridade policial, a operação não se deve ao atual reforço na luta contra a imigração ilegal, determinado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Ela foi motivada pelas práticas "indignas" dos integrantes da rede, afirmou.

O policial cita casos de trabalhadores que foram incitados a contrair empréstimos em bancos franceses e repassar uma parte do dinheiro aos que facilitaram sua estada no país.

Mas a mineira Amanda, que passou a tarde de quarta-feira na delegacia de Meaux tentando obter informações sobre o namorado preso, diz que são os próprios brasileiros que escolhem viver em grupos numerosos em apartamentos pequenos para gastar o menos possível com aluguel.

"Os cabeças da rede não estão na França. Eles estão no Brasil, convencendo as pessoas a viajarem para cá", diz ela.

Uma tradutora portuguesa, que auxilia nos interrogatórios dos brasileiros detidos em Meaux, disse à BBC Brasil que eles afirmam estar sendo bem tratados pela polícia francesa.

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