Rede de espionagem invade computadores de entidades de 103 países

Redação Central, 29 mar (EFE).- Uma rede de espionagem de informática conseguiu invadir computadores de Governos, embaixadas, organizações de defesa dos direitos humanos e veículos de comunicação, entre outras entidades, em 103 países, segundo uma investigação da Universidade de Toronto.

EFE |

O relatório, divulgado hoje pelo Munk Centre for International Studies da universidade canadense, diz que não é possível atribuir com certeza a autoria da espionagem da rede que os investigadores chamam de "GhostNet" ("Rede Fantasma").

No entanto, o estudo afirma que três dos quatro servidores de controle estão localizados em províncias chinesas, e o quarto, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Os autores do relatório são um grupo de acompanhamento do crime na rede chamado The Information Warfare Monitor, centrado no uso da internet como domínio bélico estratégico.

Eles trabalham sob o patrocínio do SecDev Group, uma empresa de consultoria de Ottawa especializada em áreas em risco de violência, e do Laboratório Cidadão da Universidade de Toronto.

Para os especialistas, não é possível ter total certeza de que a espionagem implique o Governo chinês, apesar de o controle do sistema partir quase exclusivamente de computadores na China, já que o número de internautas chineses dá ao país uma taxa equivalente de crimes pela rede.

No entanto, a origem da investigação tem relação com o pedido do escritório do dalai lama em Dharamsala, norte da Índia, para que os especialistas analisassem sua rede de computadores, onde tinham sido roubados virtualmente documentos e cujos microfones e câmeras eram ativados através de controle remoto.

O jornal "The New York Times", que teve acesso às "impressões digitais dos espiões", afirma que um dos possíveis indícios da implicação oficial da China é a ligação recebida por um diplomata não identificado logo após que esse recebeu um convite do dalai lama.

O objetivo da chamada era pressionar o diplomata para que não fosse à reunião.

A maioria dos computadores infectados pertence a países ou missões diplomáticas do Sudeste Asiático, escritórios taiuaneses, indianos e tibetanos, mas o relatório não permite ver nem a relação dos computadores infectados nem os nomes de seus donos.

No entanto, na listagem por organismos aparecem os escritórios da agência americana "AP" em Londres e Hong Kong, e o canal de televisão "New Tang Dynasty Television", criado por grupos de apoio a Falun Gong.

Também figura a operadora telefônica Cantv, da Venezuela, o Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, a embaixada chinesa nos Estados Unidos, a empresa de consultoria Deloitte Touch, a rede informática do Governo de Portugal, a embaixada de Malta na Líbia ou entidades da ilhas Salomão. EFE alf/db

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