Rede Al-Qaeda está enfraquecida no Iraque, mas não derrotada

A estratégia de contra-insurreição do Exército americano e de seus aliados das forças iraquianas enfraqueceu consideravelmente a capacidade de ação da célula local da Al-Qaeda, sem no entanto destruir a rede.

AFP |

Antes de março de 2003, o Iraque não era um dos territórios prioritários de Osama bin Laden. Mas a invasão americana, efetuada em nome da guerra contra o "terrorismo" após os atentados de 11 de setembro, mudou o panorama.

Responsável pela intensificação da violência entre sunitas e xiitas, a Al-Qaeda mantém hoje uma capacidade de ação, principalmente com atentados suicidas.

"A Al-Qaeda ainda tem a capacidade de praticar ataques de grande envergadura contra a população", considerou recentemente o general Lloyd Austin, número 2 das forças americanas no Iraque.

"Os coletes de explosivos, marca registrada da Al-Qaeda, representam 3% do número total des ataques, mas com 65% das vítimas", indicou.

A organização islâmica, fundada em Peshawar há mais de 20 anos, parece ter perdido seu poder de fogo no Iraque após uma série de ofensivas de americanos e iraquianos em províncias sunitas e cidades que por muito tempo foram dominadas pelos insurgentes.

Essas operações "comprometeram grande parte da liberdade de manobra (dos membros da Al-Qaeda), os retiraram de seu refúgio, cortaram seus circuitos de financiamento", considerou o general David Perkins, porta-voz do Exército americano no Iraque.

A estratégia de americanos e iraquianos, baseada principalmente no recrutamento das milícias sunitas outrora rebeldes, permitiu em grande parte a obtenção do controle das províncias de Al-Anbar (oeste) e Diyala (a nordeste de Bagdá), dois baluartes da insurreição.

Para o chefe da Polícia da província de Diyala, o general Abdel Karim Khalaf, essas ofensivas conseguiram também livrar o Iraque dos combatentes estrangeiros que se uniam a grupos de insurgentes, como a Al-Qaeda.

As derrotas que, segundo o Exército americano, levaram a rede a deixar o Iraque um pouco de lado para enviar recrutas ao Afeganistão, onde contribuíram para os recentes "êxitos" da rebelião.

Contudo, segundo fontes do Exército americano, combatentes continuam a entrar no Iraque pela fronteira síria.

Após a invasão de 2003, a Al-Qaeda foi bem recebida pelos iraquianos sunitas que apoiavam o ditador deposto Saddam Hussein, contrários aos americanos e à maioria xiita.

A afluência de combatentes estrangeiros vindos da Síria, da Arábia Saudita, da Jordânia e do Egito havia permitido o financiamento e a estruturação da insurreição na província da Al-Anbar, principalmente em Fallujah, a um nível quase militar.

Nos anos seguintes, a Al-Qaeda e os insurgentes pró-Saddam impuseram a sua lei, iniciando uma forte luta contra os marines americanos. Um terço dos mais de 4.000 soldados americanos mortos no Iraque morreram nessa província desértica do oeste iraquiano.

Mas a população se cansou da violência e da Al-Qaeda.

Em Al-Anbar, os "sahwas", ex-rebeldes sunitas, aderiram à luta contra os terroristas e, por meio de financiamento, hoje lutam lado a lado com seus antigos inimigos americanos.

Essa reviravolta, assim como o envio de mais 30.000 soldados americanos ao Iraque no início de 2007, fez que o nível de violência caísse vertiginosamente no Iraque, a ponto de na semana passada os americanos terem passado o controle de Al-Anbar para o Exército iraquiano.

"Hoje, Anbar não está mais perdida para a Al-Qaeda, é a Al-Qaeda que perdeu Anbar", comemorou o presidente americano George W. Bush, que anunciou nesta terça-feira uma redução mínima de 8.000 homens nas tropas americanas no Iraque nos próximos meses.

A rede ainda mantém alguns bastiões, principalmente no norte, a província de Ninive e sua capital Mossul, onde combatentes da Al-Qaeda e outros insurgentes se reagruparam.

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