Redator da declaração dos direitos humanos recebe prêmio Unesco-Bilbao

Paris, 10 dez (EFE) - O único sobrevivente da equipe que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel, recebeu hoje um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em Paris, a cidade francesa onde, em 1948, o documento foi adotado.

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O escritor Paulo Coelho também participou da entrega do prêmio Unesco-Bilbao para apresentar um curta-metragem que protagoniza contra o silêncio em matéria de direitos humanos, explicou.

O diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, foi o encarregado de entregar o prêmio a Hessel, enquanto a secretária de Estado de Assuntos Exteriores e Direitos Humanos francesa, Rama Yade, lhe entregou o certificado.

Ao mesmo tempo, o prefeito da cidade espanhola de Bilbao, Iñaki Azkuna, deu o cheque de US$ 25 mil com o qual está dotado o prêmio e que Hessel doou à associação La Voix De L'enfant, cuja porta-voz é a atriz Carol Bouquet.

No ato de entrega, Matsuura evocou a história desta premiação - criada no 30º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos e agora atualizada graças à colaboração de Bilbao - e destacou a figura de Stéphane Hessel.

O agraciado, por sua parte, convidou pouco antes a imprensa a "informar mais sobre as coisas positivas" feitas pelas ONGs no mundo.

Um trabalho que, ressaltou, freqüentemente é realizado em condições difíceis, com humildade, e "ao qual é preciso dar publicidade".

Questionado sobre os progressos realizados nestes 60 anos, desde que a Assembléia Geral da ONU, reunida no Palácio de Chaillot de Paris, adotou a Declaração dos Direitos Humanos, Hessel citou a descolonização e o final do stalinismo e do apartheid.

Houve avanços "nos instrumentos que permitem defender os direitos humanos", mas "ainda resta muito a fazer", acrescentou, apesar de ter acrescentado que não deve-se ser "nem ingratos nem injustos nem impacientes" com os progressos obtidos até o momento.

Hessel foi eleito por um júri internacional "por seu compromisso com a promoção de uma cultura de direitos humanos, a justiça e a dignidade ao longo de toda a sua vida" e sua contribuição excepcional a esta causa.

O agraciado com o prêmio Unesco-Bilbao 2008 foi detido na França pela Gestapo quando resistia à Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e foi deportado aos campos de concentração alemães de Buchenwald e Dora, de onde conseguiu fugir.

Em 1948, participou da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, antes de se transformar em um íntimo colaborador do presidente do Conselho de Ministros da Quarta República Francesa, Pierre Mendès-France.

Diplomata na sede de Nova York da Secretaria das Nações Unidas e grande defensor dos direitos humanos, Hessel fundou, em 1962, a Associação de Formação dos Trabalhadores Africanos e Malgaxes (AFTAM).

Membro de três grandes instituições francesas, entre elas a Comissão Nacional Consultiva de Direitos Humanos, o prêmio Unesco-Bilbao 2008 desempenhou a função de mediador com as autoridades em 1996, quando a igreja de Saint-Bernard, em Paris, foi ocupada por imigrantes "ilegais", lembra a Unesco. EFE lg/db

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