Recusa da Easyjet de transportar células-tronco colocou transplante em risco

Londres, 19 nov (EFE).- A recusa do pessoal da companhia aérea de baixo custo Easyjet de transportar para Barcelona as células-tronco que foram usadas no transplante pioneiro de traquéia da colombiana Claudia Castillo estiveram a ponto de arruinar a operação.

EFE |

Assim informou hoje a "BBC" em seu site, que assegura que após a negativa da Easyjet, cujo pessoal alegou no momento de abordar o vôo que o material podia ser perigoso, os médicos tiveram que alugar um vôo charter por 14.000 libras (cerca de 16.700 euros).

As células-tronco que foram extraídas da paciente e que serviram para que ela recebesse um transplante de traquéia de outra pessoa sem necessidade de fornecer-lhe imunosupressores foram tratadas em um laboratório da Universidade britânica de Bristol.

Uma vez prontas para "reflorestar" a traquéia da doadora, estas células só tinham uma vida de 16 horas, por isso que a situação tornou-se crítica, segundo explicaram à "BBC" os médicos que participaram do transporte até o Hospital Clínico de Barcelona.

O professor Anthony Hollander disse que "o pessoal de embarque afirmou que não podia levar a bordo o material, porque poderia tratar-se de uma coisa perigosa" e lembrou que, apesar de suas explicações e depois de "um intenso debate, chegaram à conclusão que não iam transportá-lo".

A partir daí, o professor Martin Birchall ofereceu mais detalhes do que parece mais um filme de ação que um transporte de material médico. "Se não tivéssemos podido fazer chegar as células nessas 16 horas teriam sido perdidos anos de trabalho e a operação não teria sido realizada", disse.

Birchall, que insistiu em que falou várias vezes com os responsáveis pela Easyjet e que estes nunca colocaram problemas para o transporte, disse que "pensou inclusive em ir de carro até Barcelona", mas que a solução final foi dada por Philip Jungerbluth, o estudante alemão encarregado de transportar as células.

"Philip conhecia um cirurgião torácico alemão que costuma voar.

Tivemos com ele uma conversa e em duas horas ele chegou a Bristol com seu jato particular", explicou Birchall.

Não havia tempo para tramitações de papéis e o próprio Birchall pagou de seu bolso o custo do vôo charter, uma elevada soma que foi devolvida a ele pouco depois pela Universidade de Bristol.

O professor ressaltou que o importante é que finalmente se conseguiu o que representa "um grande avanço médico e científico", embora tenha sido com um elevado custo econômico extra com o qual não se contava, mas lamentou que a direção da Easyjet não tenha lhe respondido os e-mails que foram enviados.

A companhia aérea entrou em contato com a "BBC" e repondeu: "não temos notícia do pedido de um passageiro para levar material médico a bordo. De toda forma e como gesto de boa vontade a Easyjet reembolsou o passageiro o custo de seu vôo". EFE fpb/ma

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