Recurso interposto por condenado à morte negro é rejeitado nos EUA

O recurso interposto por um condenado à morte negro americano, acusado de ter matado um policial e que se diz inocente, foi rejeitado nesta sexta-feira pelo Comitê de Absolvições do estado da Geórgia (sudeste dos EUA), anunciou a instância em um comunicado.

AFP |

Troy Anthony Davis, de 38 anos, deve ser executado no dia 23 de setembro pelo assassinato, em agosto de 1989, de Mark McPhails, um policial branco de 27 anos, morto quando tentava apartar uma briga em um estacionamento da cidade de Savannah, na Geórgia.

"Estamos horrorizados. Ficamos muito surpresos com o fato de eles não terem respeitado um princípio reconhecido por eles mesmos no ano passado, segundo o qual não autorizariam uma execução na Geórgia, se houvesse qualquer dúvida", declarou à AFP a diretora adjunta da organização Anistia Internacional nos Estados Unidos, Laura Moye. "Existem muitas dúvidas neste caso", ressaltou.

Davis foi condenado à morte em 1991 sem nenhuma prova material e sem que a arma do crime tenha sido encontrada. O júri baseou sua decisão nos depoimentos de nove testemunhas, sete das quais voltaram atrás e afirmaram terem sofrido pressões da polícia para acusar o réu.

Segundo a Anistia, uma das testemunhas, analfabeta, assinou o depoimento entregue pela polícia, sem ter lido o documento.

Em julho de 2007, quando esses novos elementos foram revelados no tribunal, Troy Davis, que nunca negou ter estado no local do crime, mas que sempre clamou sua inocência, beneficiou-se de um sursis de três meses, menos de 24 horas antes de sua execução.

Desde então, porém, a Suprema Corte estadual validou a execução de Davis e rejeitou a realização de um novo julgamento.

emp/yw/tt

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