Recuperação econômica não consegue reduzir pobreza na R.Dominicana

Marta Florián Santo Domingo, 15 mai (EFE).- Os dominicanos comparecem amanhã às urnas para eleger seu próximo presidente em meio a um ambiente de confiança na economia, recuperada após o declive sofrido em 2003 e 2004, embora o dinamismo alcançado não tenha sido suficiente ainda para reduzir a pobreza no país.

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A República Dominicana viveu entre 2003 e 2004 uma das piores crises econômicas desde o final da ditadura do general Rafael Leónidas Trujillo, em 1961.

A turbulência foi atribuída basicamente à quebra de três bancos, entre eles o Intercontinental, que deixou um "rombo financeiro" de US$ 2,2 bilhões, valor que representa mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) dominicano e 65% do orçamento nacional.

O declive econômico, caracterizado por alta inflação e a desvalorização da moeda local, levou o então presidente do país, Hipólito Mejía, a buscar ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (BM).

Três anos depois, o panorama se reverteu, e, segundo dados do Banco Central (BC) dominicano, nos últimos 36 meses a economia registrou crescimento de 9,5% em média.

No ano passado, acrescentou o BC, o PIB per capita ficou em US$ 4.406, com alta de US$ 503,3 frente a 2006, enquanto a taxa de desemprego sofreu nos últimos três anos redução de 4,2 pontos percentuais graças à criação de 420 mil postos de trabalho no período.

O presidente do país, Leonel Fernández, candidato à reeleição, disse recentemente que os dominicanos passaram de um recuo de 0,3% para um crescimento econômico de 8,5% ao longo de seu mandato. Diz que para 2008 a expectativa é de que possa chegar a 5%, acima da média da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos.

No entanto, tal melhora econômica teve pouco impacto sobre a população, já que, segundo analistas, grande parte dos dominicanos que ficaram na pobreza como conseqüência da última crise econômica segue na mesma situação.

Um desses especialistas, Omar Arias, economista do BM para a América Latina e o Caribe, advertiu há meses que se o Estado não aplicar de forma eficiente políticas sociais em favor da população, haverá um grande repasse de pessoas da categoria "pobres temporários" à de "pobres permanentes".

Tais afirmações são, no entanto, rebatidas por Fernández e seus colaboradores, que reforçam a evolução positiva da economia e as políticas impulsionadas pelo Executivo dominicano em favor dos mais desfavorecidos.

O presidente segue com o mesmo discurso, apesar das contínuas queixas da população pelo alto custo de vida, o vertiginoso aumento dos preços dos combustíveis e os constantes e prolongados blecautes.

Também reivindicam aumento salarial para médicos e professores.

O ex-ministro das Obras Públicas Miguel Vargas, o principal adversário de Fernández nas eleições desta sexta, acusa o presidente de não mostrar compaixão pelos pobres e de fazer pouco ou mesmo nada para combater a alta dos preços de produtos básicos.

E é justamente a alta dos alimentos, somada à dos combustíveis, um dos principais desafios a serem enfrentados pelo candidato que vencer o pleito.

O próximo governante também terá de encarar os possíveis efeitos no país da crise econômica internacional e da recessão nos EUA, seu principal parceiro econômico.

Embora diferentes setores alertem para as possíveis conseqüências negativas no país da evolução da economia internacional, Fernández se mostra mais otimista e considera que a mesma é "um desafio" e "uma oportunidade para o país seguir progredindo". EFE mf/fr

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