Recuperação da economia é foco central dos candidatos italianos

Roma, 12 abr (EFE).- A recuperação da economia italiana, em um processo caracterizado por um baixo crescimento, problemas de competitividade e inflação em alta, é um dos temas que mais espaço ocupam nos programas eleitorais dos principais candidatos às eleições gerais, e que em muitos pontos possuem grandes semelhanças.

EFE |

Tanto o Partido Democrata (PD), de centro-esquerda e liderado pelo ex-comunista Walter Veltroni, como o Povo da Liberdade (PDL), do ex-primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, incluíram entre suas prioridades a recuperação do crescimento econômico e medidas de auxílio a famílias, jovens e empresas.

As eleições de amanhã e segunda-feira serão realizadas em meio a um clima de previsões econômicas pessimistas, inseridas em um complicado contexto internacional e uma sociedade desmotivada.

O Governo reduziu as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,6% este ano, frente à alta de 1,5% registrada em 2007. O poderoso sindicato Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria) chegou a apontar risco de crescimento zero.

Apesar da tentativa do atual Governo de sanear as contas públicas, a previsão é de que o déficit aumente este ano para 2,4% do PIB, tornando-se uma das dívidas mais altas da Europa.

Em seu programa eleitoral, o PDL, que liderava as pesquisas de intenção de voto até o fim de março, último período permitido para a divulgação de enquetes visando ao pleito de amanhã e segunda, coloca como prioridade o relançamento do desenvolvimento.

Além disso, contempla medidas como subsídio a famílias, benefícios fiscais a empresas, aumento do emprego, um plano extraordinário para as finanças públicas e uma intensa luta contra a evasão fiscal.

Berlusconi declarou, no momento de apresentar seu programa eleitoral, que o mesmo não incluía milagres, e recentemente advertiu que, caso seja eleito, as primeiras decisões de seu gabinete no Conselho de Ministros serão "duras e impopulares".

A deficiente situação econômica não é notada apenas nos indicadores macroeconômicos, mas também no dia-a-dia das famílias, que têm de lutar contra um aumento de preços, em meio a uma inflação que chegou a 3,3% em março último, a mais alta desde 1996.

Ambos os candidatos destacam projetos similares - embora estruturados em iniciativas diferentes - com relação a subsídios a famílias.

Para Berlusconi, a prioridade é aumentar a renda das famílias mais pobres por meio de menos impostos e facilidades para adquirir um imóvel, com medidas como o fim do imposto de bens imóveis para os que compram sua primeira casa.

Contempla também o "bônus bebê", para sustentar a natalidade e a progressiva redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em produtos como leite, alimentos e produtos infantis.

Do outro lado, os democratas apostam na reconquista de uma posição de primazia em um processo de desenvolvimento econômico de qualidade.

O objetivo só será conquistado "se a política adotada for consciente e assumir a gravidade dos problemas do país", apontando para um crescimento intenso e durável que inclua a todos, indica o programa de Governo do PD.

Entre as prioridades do partido estão a redução e um melhor aproveitamento dos gastos públicos, assim como avanços na luta contra a evasão fiscal, pois, segundo o próprio ex-comunista Veltroni, podem ser pagos menos impostos se todos os saldarem.

Veltroni fixou também como ponto fundamental de sua campanha os subsídios às famílias com menos recursos, com a criação de um "dote fiscal" por cada filho e de um bônus em dinheiro para combater o aumento dos preços.

Os jovens seriam também alvos de auxílios e subsídios, no caso do PDL, com a introdução experimental de um período livre de impostos para novas iniciativas empresariais e ajudas no pagamento do aluguel para casais jovens.

No entanto, Berlusconi, muito dado a brincadeiras, não duvidou em propor a uma jovem que atua em condições laborais precárias que para sair dessa situação de insegurança se casasse com um milionário.

Já o candidato do PD tem o fim da precariedade nas condições de trabalho e emprego como "uma obsessão".

Veltroni afirma que combater esse fenômeno representa "a maior batalha do novo milênio", e garante que introduzirá, de forma experimental, um salário mínimo de 1.000 a 1.100 euros para trabalhadores com contratos precários, por meio de incentivos fiscais às empresas.

Analistas políticos e econômicos, no entanto, têm colocado em dúvida as formas de financiamento propostas por ambos os candidatos nessa área.

Além das eleições legislativas, os italianos vão às urnas para eleger 462 prefeitos, entre eles o de Roma. Estarão em disputa ainda oito deputações e os cargos de governantes das regiões da Sicília (sul) e de Friuli-Venezia Giulia (oeste). EFE cr/fr/mh

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