A reconstrução do Haiti após o terremoto que devastou o país pode custar até US$ 14 bilhões (cerca de R$ 26 bi), segundo estimativas divulgadas nesta terça-feira em um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para chegar a esse valor, os economistas levaram em conta a magnitude do desastre, o número de mortes, a população e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país.

A estimativa considera ainda uma avaliação preliminar dos danos e comparações com desastres anteriores.

Nesse sentido, os economistas afirmam que o terremoto que atingiu o Haiti no último dia 12 de janeiro foi, proporcionalmente, o desastre natural mais destrutivo dos tempos modernos.

Isso porque o número de mortes por milhão de habitantes pode chegar a 25 mil e os danos podem chegar a US$ 8 bi - representando até 117% do PIB do país.

Levando em conta esses parâmetros de análise, o terremoto em Porto Príncipe teria sido significativamente mais destrutivo do que o tsunami na Indonésia em 2004, que causou 772 mortes por milhão de habitantes e os danos representaram apenas 2% do PIB do país.

Nessa perspectiva, o terremoto teria sido especialmente destrutivo por conta do tamanho da população e da fragilidade da economia do Haiti.

O estudo, conduzido pelos economistas Andrew Powell, Eduardo Cavallo e Oscar Becerra, calculou os danos usando como base o número de mortos entre 200 mil e 250 mil. Até 11 de fevereiro, o governo haitiano havia confirmado 230 mil mortos na tragédia que devastou o país.

Os economistas afirmam que o custo da reconstrução pode ficar entre US$ 8 bilhões - que seria a previsão mínima de gastos - e US$ 14 bilhões.

"Revés econômico"
Em uma pesquisa ainda não divulgada, os autores do estudo afirmam que países atingidos por desastres na escala sofrida pelo Haiti sofrem um "revés econômico" que pode levar décadas para ser revertido.

Segundo os economistas, em vários desses países, os pesquisadores observam que, mesmo com grandes fluxos de auxílio externo, dez anos após o desastre, o PIB per capita era até 30% mais baixo do que teria sido se o país não tivesse passado pela catástrofe.

"Claro que isso não significa necessariamente que o auxílio não funciona. Talvez o efeito de crescimento negativo tivesse sido ainda pior se não houvesse o auxílio", afirma o estudo.

"No entanto, esses dados destacam o desafio a ser enfrentado pelo Haiti e pela comunidade internacional que tenta ajudar o país", afirma o texto.

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