Reconhecimento de Estado palestino é obrigação, não opção, diz Turquia

No Cairo, premiê turco acusa Israel de impedir paz no Oriente Médio; palestinos recorrerão à ONU em busca de Estado

iG São Paulo |

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta terça-feira que o reconhecimento de um Estado palestino é uma obrigação, e não uma opção. Ele disse em um encontro da Liga Árabe no Cairo que, antes do fim deste ano, "veremos uma Palestina em uma situação muito diferente". Atualmente os palestinos preparam uma candidatura para entrar na ONU, apesar da oposição israelense e dos EUA .

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O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, é visto em tela ao discursar para membros da Liga Árabe no Cairo, Egito
Erdogan fez um novo ataque a Israel, dizendo que a mentalidade de seu governo é uma barreira para a paz no Oriente Médio. Aos chanceles árabes, o premiê turco afirmou que Israel se isolou e deve "pagar o preço" depois de se recusar a pedir desculpas pelo ataque a uma flotilha com ajuda humanitária à Faixa de Gaza em maio do ano passado, quando oito ativistas turcos e um turco-americano foram mortos.

As declaração à Liga Árabe fazem parte de uma viagem de três dias ao Egito com o objetivo de fortalecer a posição da Turquia no mundo árabe , onde muitos elogiam a posição dura de Erdogan em relação a Israel. Além do Egito , Erdogan também irá à Líbia e à Tunísia , em um giro a três países que derrubaram seus líderes de longa data em meio à Primavera Árabe . Israel "deve pagar o preço pelos crimes que cometeu", afirmou aos chanceleres.

Um relatório da ONU sobre o assalto de Israel à flotilha, divulgado no início deste mês, indicou que o bloqueio naval de Israel era legítimo , mas acusou o Estado judeu de usar "força excessiva" na ação. Em resposta, a Turquia suspendeu neste mês suas relações militares com Israel, expulsou os diplomatas israelenses graduados , prometeu fazer campanha em apoio ao reconhecimento pela ONU do Estado palestino e advertiu que futuramente enviará a Marinha turca para escoltar navios com ajuda humanitária a Gaza .

Adesão palestina à ONU

De acordo com o secretário-geral da Liga Árabe, os palestinos devem buscar o reconhecimento da ONU como Estado por meio da Assembleia Geral, e não pelo Conselho de Segurança, no mais claro sinal já dado da estratégia palestina para alcançar esse objetivo. A declaração contradiz informação dada previamente pela EFE, de que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, solicitaria diretamente ao CS/ ONU a admissão de um Estado Palestino independente e membro de pleno direito em 22 de setembro.

Abbas discursará no plenário das Nações Unidas em 23 de setembro, quando defenderá a aceitação de um Estado palestino como novo membro da organização multilateral com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967.

Como uma maioria de dois terços indica ser favorável à medida na Assembleia-Geral, os palestinos devem obter uma vitória na votação e garantir um embaraço a Israel. A vitória, porém, seria limitada, porque o reconhecimento seria apenas como Estado não-membro, sem direito a voto.

Apesar o Conselho de Segurança (composto por 15 membros, dos quais cinco com poder de veto) pode fornecer adesão total com direito a voto, mas recorrer ao órgão colocaria os EUA na desconfortável posição de vetar o esforço palestino, causando danos na diplomacia americana no mundo árabe também. Para Washington, a constituição de um Estado palestino deve ser resultado de um processo de paz com Israel. Na segunda-feira, Obama caracterizou a iniciativa palestina de " distração ".

Os palestinos, no entanto, fartos de negociações de paz paralisadas há quase um ano e da contínua perda de território pelo crescimento constante das colônias judaicas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, entendem que o diálogo não pode seguir sendo a única via para conseguir sua independência.

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Canecas elaboradas como parte da campanha de promoção de um Estado palestino são vendidas em loja de Gaza
Após chegar à Assembleia, o pedido passará então por uma série de trâmites que podem levar quatro dias ou se prolongar por meses, disse Mohammad Shtayyeh, integrante da equipe negociadora palestina. "Não queremos criar falsas expectativas. A situação não mudará entre 20 e 30 de setembro, mas pelo menos teremos conseguido claros termos de referência e a possibilidade de aplicar o Direito Internacional", afirmou.

O negociador insistiu que o voto na ONU não é a única possibilidade, mas "uma janela ao processo de paz", dentro de "uma estratégia para passar de conversas bilaterais a um fórum multilateral" que, além disso, obrigará os países a se posicionar de forma clara.

A estratégia palestina conta com o apoio de mais de 140 países, mas com a rejeição dos EUA e em princípio de alguns países da União Europeia. Na segunda-feira, a Rússia - outro país com poder de veto no Conselho de Segurança - anunciou que apoiará a medida palestina .

*Com AP, BBC e EFE

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