Reconhecer eleições em Honduras seria legitimar golpe, diz Amorim

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou nesta quinta-feira em Manaus que o Brasil não vai reconhecer as eleições de Honduras, marcadas para este domingo. Um golpe de Estado não pode ser legitimado, disse Amorim, referindo-se à realização do pleito sem que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tenha sido reconduzido antes ao seu posto.

BBC Brasil |


AFP

Nicolas Sarkozy (esquerda), Celso Amorim (centro) e Lula (direita)
em evento sobre meio ambiente em Manaus

O ministro afirmou que, embora a posição brasileira seja oposta à dos Estados Unidos nesta questão, não há um confronto entre os dois países.

O governo dos Estados Unidos defende que o reconhecimento do resultado das eleições presidenciais em Honduras pode ajudar a colocar um fim à crise política que se instalou no país desde a deposição de Zelaya, em 28 de junho.

"Certamente no princípio os americanos também condenam o golpe, mas talvez por termos (na América Latina) sofrido na pele com golpes, seja diferente", disse Amorim.

'Branqueamento'

Também em Manaus, o assessor especial da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quinta-feira que a solução defendida pelos Estados Unidos para crise em Honduras representa o "branqueamento" de um "golpe de Estado preventivo".

"Não se deveria reconhecer como legítima (a eleição de domingo) porque isso seria uma tentativa de branqueamento de um golpe de Estado. E, para nós, isto é algo extremamente grave, sobretudo se vem acompanhada da ideia de um golpe preventivo", disse Garcia.

"O Brasil não vai legitimar o branqueamento de um golpe."
"Se a comunidade internacional e Honduras querem legitimar estas eleições, vão ser responsabilizadas, no mínimo, pelo que vier a acontecer em Honduras. Podemos ter um longo período de instabilidade num Estado que era 'tranquilinho'", afirmou.

'Divergência'

Marco Aurélio Garcia mostrou a mesma posição de Amorim e negou que haja "crise" ou "confronto" entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.

"O que há são divergências em alguns pontos, como nesta questão de Honduras", disse.

Ele ressaltou que não vê muitas possibilidades de Brasil e Estados Unidos afinarem suas posições em relação ao país-centro americano. "O tempo agora está contra nós", disse.

AFP

Estudantes hondurenhos fazem protestos para pessoas não
votarem nas eleições do dia 29 de novembro

Amorim e Garcia estão acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Manaus na Cúpula dos Países Amazônicos e França, que discute uma posição comum para a conferência da ONU sobre clima, que acontece em Copenhague, na Dinamarca, entre 7 e 18 de dezembro.

Dos oito chefes de Estados convidados por Lula para a cúpula de Manaus, no entanto, estarão presentes no encontro apenas o líder da Guiana, Bharrat Jagdeo, e o francês Nicolas Sarkozy.

Sobre a Cúpula, Amorim relativizou a ausência dos presidentes convidados.

"Se não fosse pela iniciativa do presidente Lula, nem essa reunião de ministros teríamos aqui", disse.

"Todos os que estão aqui são representantes plenipotenciários de seus países, então não há esvaziamento da reunião", disse.


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