Recomeça o julgamento de Tarek Aziz

O julgamento de Tarek Aziz, que foi chanceler e emissário do ditador iraquiano Saddam Hussein, foi retomado nesta terça-feira em Bagdá, sem a presença de advogados.

AFP |

O dirigente, único cristão do círculo íntimo de Saddam Hussein, deve responder pela execução em 1992 de 42 comerciantes acusados de elevar os preços dos alimentos quando o Iraque era objeto de sanções da ONU.

Em uma primeira declaração ao tribunal, Aziz denunciou uma "conspiração" contra ele.

"Sei que há uma conspiração, uma vingança pessoal, porque as pessoas que governam o Iraque hoje tentaram me matar em 1º Abril de 1980 na frente de centenas de pessoas", disse, em alusão a um atentado à bomba cometido por ativistas xiitas em Bagdá.

"Hoje, eles dizem 'façamos o que não conseguimos fazer em 1980'", acrescentou, afirmando que tinha orgulho de ter sido membro do partido Baath de Saddam Hussein.

Aziz, que se entregou às forças americanas em abril de 2003, insistiu que não podia ser pessoalmente responsável pelas acusações.

Vestindo uma camisa cinza e apoiando-se sobre uma bengala, Aziz entrou na sala do Supremo tribunal penal iraquiano às 11h30 (05h30 de Brasília), na "zona verde" de Bagdá, setor ultraprotegido do centro da capital.

Por sua vez, o procurador Adnane Ali pediu "uma pena adaptada que pudesse consolar as viúvas e as pessoas oprimidas", afirmando que certos comerciantes tiveram as mãos amputadas ou as orelhas cortadas por terem participado do mercado negro ou do comércio com divisas estrangeiras nos anos 90.

O principal advogado de defesa, Badie Izzat Aref, que vive na Jordânia, justificou recentemente sua decisão de não estar ao lado do cliente por temer pela própria vida.

Outros advogados, entre eles o francês Jacques Varas, não puderam obter o visto iraquiano para vir assistir à audiência, de acordo com Ziad Aziz, um dos filhos de Tarek Aziz.

Ele afirmou, além disso, que seu pai, que nasceu em 1º de fevereiro de 1936 em Sinjar, perto de Mossul (norte), estava "muito mal de saúde e não parava de tossir" na última vez que falou com ele, na quarta-feira passada.

Tarek Aziz sofre de hipertensão, diabetes, dificuldades respiratórias e problemas cardíacos desde teve uma indisposição em uma prisão militar americana em dezembro de 2007, de acordo com Ziad Aziz.

O julgamento teve início em 29 de abril, mas a audiência foi suspensa até 20 de maio.

Aziz, que pode ser condenado à morte, é julgado ao lado de outros sete dirigentes do antigo regime, incluindo Ali Hassan al-Majid, o "Ali Químico", que já foi condenado à pena capital por "genocídio" contra a população curda nos anos 80.

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