Recessão pode durar anos se nada for feito, diz Obama

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira que a atual recessão pode se prolongar por anos caso não sejam tomadas medidas drásticas. Se nada for feito, essa recessão poderá se prolongar por anos, disse Obama em seu primeiro grande discurso sobre a política econômica desde que foi eleito, em 4 de novembro.

BBC Brasil |

Obama pediu ao Congresso que aja rapidamente para aprovar o pacote de estímulo econômico de US$ 800 bilhões elaborado por sua equipe.

"Eu não acho que seja tarde demais para mudar o curso, mas será (tarde demais) se não adotarmos medidas dramáticas o quanto antes", disse Obama, no discurso realizado no Estado da Virginia.

"Esta é uma crise diferente de qualquer uma que tenhamos vivido em nosso tempo", afirmou. "Um mundo que depende da força da nossa economia está neste momento obsevando e esperando que os Estados Unidos liderem mais uma vez, e é isso o que nós vamos fazer."
Impulso
Obama disse que, com a taxa de juros nos Estados Unidos próxima de zero e com a desaceleração da atividade econômica e a diminuição dos empréstimos, depende do governo agir.

"Somente o governo pode oferecer o impulso de curto prazo necessário para nos tirar de uma recessão tão profunda e severa como esta", disse. "Eu faço um apelo ao Congresso para que aja o mais rapidamente possível em benefício do povo americano."
O presidente eleito toma posse no próximo dia 20. Nesta semana, a primeira desde que se mudou com a família para Washington, no último domingo, Obama se concentrou em seu plano de estímulo econômico.

Segundo o repórter de economia da BBC Steve Schifferes, os Estados Unidos estão entrando na pior recessão de sua história desde a década de 1930.

Enfraquecimento
Novos dados previstos para esta semana deverão reforçar os sinais de enfraquecimento da economia americana.

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos deverá divulgar na sexta-feira os dados sobre emprego relativos a dezembro de 2008.

Muitos economistas esperam um aumento no desemprego, com a perda de 500 mil vagas em dezembro, e um total acumulado de 2,5 milhões de postos de trabalho fechados em 2008.

Obama tem se reunido com líderes do Congresso para buscar apoio a seu pacote, que deverá custar entre US$ 700 bilhões e US$ 800 bilhões nos próximos dois anos e criar até 3 milhões de empregos.

Desse montante, cerca de US$ 300 bilhões serão destinados a cortes de impostos. O pacote também prevê aumento de gastos em infra-estrutura e ajuda aos Estados.

Déficit
No entanto, o projeto de Obama deve ser prejudicado pelos dados divulgados na quarta-feira pela Comissão de Orçamento do Congresso americano, que indicam um déficit orçamentário de US$ 1,18 trihão (cerca de R$ 2,62 trilhões) para o ano fiscal que se encerra em 30 de setembro.

O déficit é o maior já registrado e não leva em conta o pacote elaborado pela equipe de Obama.

O presidente eleito disse que entende o ceticismo do povo americano em relação à intervenção do governo na economia, mas afirmou que qualquer decisão sobre gastos será feita de forma transparente e que representará um "esforço sem precedentes" para eliminar gastos desnecessários.

Obama disse também que a atual crise foi provocada pela ação irresponsável de bancos, corporações e do governo e prometeu reformar o sistema regulatório "fraco e ultrapassado" para proteger consumidores e investidores.

Os democratas esperavam que o pacote econômico estivesse pronto para ser sancionado por Obama logo após a posse, mas agora já admitem que isso não será possível antes de meados de fevereiro.

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