Recepção com grande pompa para Bento XVI na Casa Branca

O Papa Bento XVI será recebido com grande pompa na Casa Branca nesta quarta-feira, onde abordará, junto ao presidente George W. Bush, temas como a imigração ou a luta contra o terrorismo.

AFP |

O Papa chegou na véspera a Washington e depois segue para Nova York, onde pronunciará, na sexta-feira, um discurso nas Nações Unidas e visitará o local dos atentados de 11 de setembro de 2001, o 'Marco Zero'.

No dia em que o Papa comemora seus 81 anos, entre 9.000 e 12.000 convidados são esperados nos jardins da Casa Branca, onde o Sumo Pontífice será recebido com uma salva de 21 canhões.

No Salão Oval, os dois líderes manterão uma conversa prolongada sobre os direitos humanos, as liberdades religiosas, a imigração, a luta contra o terrorismo e o extremistas e, em particular, o Oriente Médio, segundo a Casa Branca.

Quanto ao tema imigração em particular, Bento XVI já declarou que a maior economia do mundo deve "ajudar os países dos quais as pessoas emigram a se desenvolverem".

Ele celebrará na quinta-feira, em Washington, uma missa para a qual se espera uma multidão de famílias de imigrantes latinos residentes nos EUA. Estima-se que cerca de 12 milhões de pessoas, de acordo com cálculos conservadores, morem ilegalmente hoje nos Estados Unidos, a maioria procedente de países latino-americanos.

O papa Bento XVI iniciou nesta terça-feira uma visita de seis dias aos Estados Unidos, a primeira desde o início do seu pontificado há três anos.

Bush reservou uma recepção privilegiada ao Papa Bento XVI: ele e sua esposa Laura foram até a base aérea de Andrews. Foi a primeira vez que o presidente George W. Bush se deslocou para receber um chefe de Estado ao desembarcar.

Na viagem para os Estados Unidos, a bordo do avião, Bento XVI afirmou que sente 'profunda vergonha' pelos padres pedófilos envolvidos em vários escândalos nos Estados Unidos.

"A Igreja fará todo o possível para curar as feridas causadas pelos padres pedófilos", declarou o papa.

Na semana passada, em entrevista a uma rede de TV católica, o presidente Bush explicou as honras reservadas ao Papa: "porque é uma pessoa realmente muito importante de vários pontos de vista. Em primeiro lugar, fala para milhões de pessoas. Em segundo lugar, não vem como homem político, vem como homem de fé. E, em terceiro lugar, subscrevo tanto esta noção de que na vida há o certo e o errado, que o relativismo moral compartilha o perigo de minar as possibilidades de ter sociedades feitas de liberdade e de esperança, e quero honrar minhas convicções".

Apesar das diferenças entre Washington e o Vaticano, as convicções religiosas de Bush (ainda que seja protestante) e a influência considerável delas em suas políticas ajudam a questionar se Bush não poderia ser considerado o primeiro presidente católico americano.

A polícia americana adotou medidas de segurança excepcionais para a visita e trabalhará em estreita colaboração com os serviços secretos e os membros da Guarda Suíça, responsáveis pela proteção do Papa, durante os seis dias da estadia pontifícia.

O número de oficiais não foi revelado, mas a polícia anunciou que incluirá homens-rã no East River, franco-atiradores nos terraços, helicópteros e carros blindados.

Brian G. Parr, diretor do serviço secreto para Nova York, responsável pela segurança das personalidades estrangeiras, disse que será adotada uma restrição de vôos a menos de 1.000 metros em três locais que serão visitados pelo Papa: o seminário de São José sábado de manhã, o "Marco Zero" e o estádio dos NY Yankees (time de beisebol da cidade) no domingo.

O chefe de polícia de Nova York, Raymond Kelly, comparou o dispositivo de segurança com o adotado em 2004 para a convenção do Partidos Republicano na cidade.

Ao contrário da primeira visita do João Paulo II ao país, que em 1979 presidiu uma missa em parque aberto no sul de Manhattam, a entrada dos eventos será estritamente controlada.

Outra visita de João Paulo II a Nova York em 1995, a primeira depois da tentativa de atentado de que foi vítima na praça São Pedro de Roma em 1981, também foi relativamente aberta, com uma missa no Central Park para 100.000 fiéis.

al/cn

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