Recém-nascidos passam primeiros dias de vida como desabrigados

Há pouco menos de um mês, a desabrigada Lívia Amanda Mendes Leite, de 19 anos e então grávida de nove meses, teve um sangramento e percebeu que estava na hora de seu bebê nascer. Acompanhada de uma tia, Lívia caminhou por quase uma hora do abrigo para vítimas das enchentes em Trizidela do Vale, no Maranhão, até o hospital da cidade.

BBC Brasil |

Luan Vinícius nasceu de parto normal, e com apenas dois dias de vida foi levado para o abrigo com a mãe.

Na tarde de quinta-feira, o menino, hoje com 28 dias, dormia em um colchão colocado no chão, alheio ao barulho de outras crianças que brincavam no local, ao calor e à sujeira a sua volta.

Desde que a casa em que viviam foi inundada pelas águas do rio Mearim, Lívia, a filha Amanda Leticia, de um ano e oito meses, a avó e outros parentes vivem no alojamento improvisado em um hospital abandonado em Trizidela do Vale.

Há mais de um mês, não há água no local. A energia elétrica só foi religada na última sexta-feira. Cascas de banana, restos de comida e lixo se acumulam pelo chão dos corredores.

Apesar das dificuldades, Lívia diz não estar preocupada com o bebê. "Trago água do rio para dar banho nele", diz.

Hábitos noturnos
A situação não é incomum nos abrigos do Vale do Mearim, região mais atingida pelas enchentes no Maranhão.Nesta quinta-feira, em outro abrigo de Trizidela do Vale, montado em um ginásio, Cleidiane de Souza Pereira amamentava o filho Wallisson, de 17 dias.A casa de barro em que ela e o marido Marcos Costa dos Santos viviam foi inundada e desabou. "O barro amoleceu com a água", diz Santos, que é ajudante de pedreiro, mas ficou desempregado com as enchentes.

O casal conseguiu levar alguns móveis para o abrigo e também o enxoval do bebê, comprado pela mãe de Cleidiane.

"Não fiquei com medo de ter ele aqui. Só perdi um pouco de sangue. A polícia veio me buscar e me levou para o hospital", diz ela. "Quando ele estava com quatro dias, voltamos para cá."
A água para o banho do bebê é retirada das três torneiras disponíveis na área externa do ginásio. "Pego a água, fervo e misturo com um pouco de água fria", diz Santos.

Pais de primeira viagem, Cleidiane e Santos só estranham os hábitos noturnos de Wallisson. "Ele dorme o dia todo e, de noite, acorda de três em três horas para mamar", diz a mãe.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG