Recém-libertado de Guantánamo denuncia torturas

SARAJEVO - O argelino Hajj Boudela, libertado há dois dias da base militar americana de Guantánamo, após mais de seis anos de cativeiro, afirma que foi torturado durante seu cárcere.

EFE |

"Os primeiros meses foram os mais difíceis. Estivemos em jaulas. Fazia muito calor", lembrou.

"Após sermos extraditados da Bósnia, permanecemos quatro dias amarrados, com algemas nas mãos e as pernas, jogados sobre o solo, com ouvidos e olhos vendados, amordaçados. Foram quatro dias longos como anos", narrou Boudela, que também tem nacionalidade bósnia, na edição de hoje do jornal "Avaz".

Depois, ele conta ter sido transferido ao chamado Campo 1, onde as condições nas celas eram um pouco melhores, mas onde quase todos os presos tinham problemas de saúde.

"(Os carcereiros) nos humilhavam de todas as formas possíveis, sobretudo quando rezávamos. Lançavam contra nós nossos Alcorões, nos pisoteavam, nos torturavam no sentido mental e físico", afirma.

Em Guantánamo, ressalta, "ninguém nunca nos disse o motivo de nossa detenção nem de que fomos acusados".


Prisão de Guantánamo mantém detidos suspeitos de terrorismo

Libertados nesta semana

Boudela, de 43 anos, foi mandado de volta à Bósnia no último dia 16 junto com outros dois argelinos, também cidadãos bósnios, após serem libertados de Guantánamo por decisão da Justiça americana.

O denominado "grupo argelino", integrado por seis pessoas, foi entregue aos EUA na noite de 17 de janeiro de 2002, apesar de a Corte Suprema bósnia já ter ordenado antes sua libertação de uma prisão na capital Sarajevo, na qual seus membros passaram meses como suspeitos de atividades terroristas na Bósnia e de vínculos com a rede terroristas Al-Qaeda.

Boudela chegou à Bósnia como miliciano mujahedin (aquele que faz a "Jihad", em árabe) para lutar junto ao Exército bósnio muçulmano durante a guerra civil (1992-1995) e ficou depois no país, onde se casou e obteve a segunda nacionalidade.

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