Rebeldes ugandenses matam 620 no norte da RDC, dizem ONGs

Johanesburgo, 17 jan (EFE).- Em três semanas no norte da República Democrática do Congo (RDC), os rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA) massacraram brutalmente 620 pessoas e sequestraram mais de 160 crianças, denunciaram neste sábado organizações de defesa dos direitos humanos.

EFE |

Segundo a Human Rights Watch (HRW) e a ONG congolesa Justiceplus, a grande maioria das mortes ocorreu em três ataques registrados nos dias 24 e 25 de dezembro do ano passado, na região de Haute Uele, nas localidades de Doruma, Farajde e Duru.

A HRW, que passou as últimas semanas investigando os fatos, diz ter encontrado covas recém-cavadas, machados e tacos manchados de sangue, aléem das cordas que os rebeldes teriam utilizado para imobilizar suas vítimas.

"A mesma tática foi utilizada em outros ataques que ocorreram de forma simultânea, o que indica que se trata de uma ação planejada para aterrorizar a população", declara no comunicado uma das investigadoras, Anneke Van Woundenberg.

Os recentes ataques do LRA são uma resposta a uma ação conjunta de Uganda, Sudão e RDC, que, em 14 de dezembro, atacaram as bases militares dos rebeldes de forma inesperada, com o intuito de acabar com os mais de 20 anos de atividade dos insurgentes ugandenses.

Depois dessa ofensiva militar, o LRA se dividiu em vários grupos, que esperaram as reuniões de família por ocasião do Natal para atacar, acusa a HRW.

"Os poucos sobreviventes apresentam sérias lesões na cabeça e duas meninas de 3 anos ficaram com ferimentos profundas no pescoço depois que os guerrilheiros tentaram arrancar a cabeça delas", diz um comunicado.

Em 25 de dezembro, no povoado de Batande, a poucos quilômetros de Doruma, perto da fronteira com o Sudão, o LRA mais de 80 pessoas que tinham se reunido para celebrar o Natal. Além de terem surrado os homens até a morte, os insurgentes estupraram e mataram as mulheres e meninas.

Segundo o testemunho de um dos habitantes do povoado, que viu sua mulher, filhos e netos serem assassinados, só seis pessoas sobreviveram ao ataque.

Também em 25 de dezembro, os rebeldes atacaram o povoado de Farajde, a 240 quilômetros de Doruma, onde mataram 143 pessoas, seqüestraram 160 crianças e atearam fogo em 940 casas, três escolas e nove igrejas.

Já nos dias 26, 27 e 28 de dezembro, outras 12 localidades foram atacadas pelos ugandenses, enquanto entre 8 e 11 deste mês pelo menos 86 pessoas foram mortas pelos rebeldes no sul de Doruma.

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