Rebeldes tutsis retomam negociação com Governo da RDC apesar de crise

NAIRÓBI - Os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) retomaram nesta quarta-feira, em Nairóbi, as conversas de paz com o governo de Kinshasa, apesar da crise na qual líderes do grupo colocaram em questão a liderança de Laurent Nkunda.

EFE |

A nova sessão de negociação, que contou com a presença de cinco representantes do Governo da República Democrática do Congo (RDC) e cinco do CNDP, é presidida pelo ex-presidente tanzaniano Benjamin Mkapa - como "facilitador" da ONU -, que se mostrou relativamente otimista com relação a conseguir um acordo para acabar com o conflito no leste do país.

"Será crucial alcançar o final das hostilidades e um compromisso que garanta o processo de paz, no qual o mais importante neste momento é atender as pessoas que ficaram deslocadas de suas casas", declarou Mkapa antes do início do encontro.

Pelo menos 250.000 pessoas tiveram que deixar suas casas na província oriental do Kivu Norte por causa da ofensiva que começou em agosto de 2008 pelos membros do CNDP, que é liderado por Nkunda, e se uniram ao 1 milhão de deslocadas que já havia na região.

Os rebeldes, que garantem que defendem a minoria tutsi no país, chegaram às portas de Goma, capital do Kivu Norte, após colocarem em fuga as tropas governamentais e, no dia 29 de outubro, declararam um cessar-fogo unilateral e reivindicaram negociações diretas com o Governo.

A reunião de hoje, à qual não comparece o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, enviado especial da ONU para este conflito, pretende, segundo Mkapa, "a construção de um consenso entre as duas partes para a obtenção da paz na RDC".

No entanto, o ex-governante tanzaniano admitiu que desde o primeiro encontro destas negociações promovidas pela ONU, no dia 8 de dezembro, as conquistas foram "modestas", em negociações cujos termos não foram divulgados.

O encontro anterior terminou no dia 21 de dezembro, depois que o governo e a ONU ratificaram o cessar-fogo, enquanto o CNDP disse que não podia ratificá-lo, pois as forças do Governo tinham ocupado áreas das quais os rebeldes se retiraram voluntariamente para deixarem uma zona de separação.

Este encontro começa em um momento no qual o CNDP atravessa uma crise de liderança, após o chefe de seu Estado-Maior, o general Bosco Ntaganda, anunciar na última segunda que tinha deposto Nkunda, o que foi desmentido pelo líder do grupo.

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